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Caravana do Cremepe encerra primeira etapa

A Caravana Cremepe, um projeto inédito criado pelo Conselho Regional de Medicina, teve início no dia 28 de março. A primeira etapa, que percorreu treze cidades do sertão pernambucano, terminou no último dia 8 de abril. O objetivo da Caravana é observar diversos setores sociais, especialmente a saúde, para elaborar um diagnóstico e entregar aos governantes para que as medidas necessárias sejam tomadas.
    
A Caravana, composta por representantes da diretoria, fiscalização, biblioteca, departamento jurídico e setor de imprensa, manteve contato com prefeitos, secretários municipais de Saúde e conselhos municipais de Saúde das cidades que foram visitadas. Os relatórios sobre os municípios de Petrolina, Ouricuri, Parnamirim, Cabrobó, Salgueiro, Belém de São Francisco, Floresta, Serra Talhada, Triunfo, Afogados da Ingazeira, São José do Egito, Sertânia e Custódia já estão sendo elaborados.
    
DIA-A-DIA DA CARAVANA:
    
PETROLINA – O grupo se dividiu: uma parte foi à prefeitura da cidade para uma reunião com o prefeito, Fernando Bezerra, o secretário municipal de Saúde, José Brito Veiga, e o representante do conselho municipal de Saúde, Rosalvo Antônio da Silva. A outra parte da equipe foi fazer uma fiscalização no hospital regional Dom Malan. Durante a reunião na prefeitura o prefeito falou da aplicação financeira na área de saúde do município; abordou os problemas da formalização dos contratos dos médicos; fez um histórico sobre o Posto de Saúde da Família, PSF, explicando que a cobertura é de 53% e o PACS 60%, e tem como meta atingir os 100%. O prefeito explicou ainda as dificuldades em contratar médicos plantonistas e falou do interesse em construir um outro hospital e na intenção de transformá-lo em hospital universitário. Em relação ao hospital Dom Malan, que pertence ao município, o prefeito falou dos problemas e apresentou algumas melhorias realizadas. O prefeito se reclamou da falta de ajuda por parte do Governo do Estado.
    
Já a equipe que foi fiscalizar o hospital Dom Malan, constatou várias irregularidades como a falta de gasimetria e ionograma na UTI, desqualificando a mesma como unidade de terapia intensiva. Ainda na unidade, a máquina de Raio X está quebrada e caso o paciente necessite de uma ultrassonografia terá que ser deslocado para outro hospital, já que a do local fica trancada em uma sala.
No setor de urgência pediátrica não existe cardioscópio nem desfibrilador. Caso uma criança sofra uma parada cardíaca estará correndo risco de morte porque não existe material para reanimação. No setor de urgência de adultos existem pacientes graves em estado de observação. Também foi constatada uma demanda muito grande de pessoas em relação a estrutura oferecida pelo hospital.
    
No final do primeiro dia da Caravana, o presidente do Cremepe, Ricardo Paiva, participou de um evento junto com o secretário estadual de Saúde, Gentil Porto, e com o secretário de Saúde de Petrolina. Na oportunidade, a nova diretoria do hospital Dom Malan tomou posse e também foi realizado o “1º Simpósio de Ética Médica de Petrolina”.
     
Ricardo Paiva falou sobre questões éticas – como abandonar o plantão antes do horário ou chegar atrasado ao mesmo – de estudantes que assumem a função de médico, humanização da medicina e por último pediu aos médicos e profissionais de saúde que respeitem a vida.
    
OURICURI – No segundo dia da viagem, a equipe visitou a cidade e conversou com o prefeito Francisco Coelho, com a secretária municipal de Saúde, Maria do Carmo. De acordo com as informações passadas o PSF local tem cobertura de 75% e que faltam cinco equipes para atingir os 100%. Ela se queixou que, entre as dificuldades encontradas, está a falta de médicos que residam no município.
    
Os diretores do Cremepe que participaram da reunião sugeriram que haja definição das prioridades do hospital regional, reflexão sobre o papel do Conselho Municipal e a realização de treinamentos em ATLS e ACLS para os médicos do hospital.
    
Na reunião com o conselho municipal de Saúde os conselheiros apresentaram os problemas encontrados no Hospital Regional de Ouricuri como, por exemplo, a falta de profissionais, de estrutura e de vontade política. Segundo o Conselho, o hospital não tem perfil de hospital regional, não existem alta e média complexidade e, como solução, foi feito um consórcio intermunicipal com onze municípios.
    
PARNAMIRIM – O terceiro dia da caravana visitou o município que fica distante 573 km do Recife. O grupo se reuniu com o prefeito Fernando Cabral e com a Secretaria Municipal de Saúde Ioneide Maria. Na oportunidade ela disse que vai reorganizar o Plano Municipal de Saúde. A gestora falou ainda que a contratação do PSF é feita pela cooperativa (CENIAM). A secretária reclamou que o município não está recebendo do Ministério da Saúde o Kit PSF e que, por isso, foi feito um convênio com o Lafepe para os medicamentos básicos. Ela disse ainda que o PSF faz um atendimento de aproximadamente oitenta pacientes por dia e que existe a marcação de consultas no hospital com o objetivo de descentralizar o atendimento.
A Secretaria de Saúde de Parnamirim desenvolve programas sociais e entre eles está o Viver Terceira Idade.
    
CABROBÓ – Nesse município a Caravana se reuniu com a secretária municipal de Saúde, Carmem Diana. Lá, a equipe de fiscalização encontrou uma médica boliviana praticando o exercício da atividade ilegalmente. Ela estava atendendo em um PSF, mas, segundo a secretária, a estrangeira já estava sendo desligada do cargo. Carmem Diana explicou que o atendimento na área da saúde é precário porque só existem três Postos de Saúde da Família, quando o ideal seriam doze postos para atender a demanda da zona urbana e rural e, assim, descentralizar o atendimento no hospital. Existe ainda uma comunidade indígena no município que é atendida por uma equipe multidisciplinar.
    
Em outra reunião, desta vez com representantes do Conselho Municipal de Saúde de Cabrobó, foi constatada a falta de médicos no município. Outro problema grave é a falta de água tratada e de uma equipe técnica para elaborar projetos. O Conselho mencionou ainda a questão de não existirem políticas públicas que incentivem os médicos recém-formados a trabalharem no interior.
    
SALGUEIRO – No dia 1º de abril a equipe do Cremepe se reuniu com a prefeita da cidade, Cleusa Pereira. Ela apresentou os projetos sociais que são desenvolvidos, como por exemplo, a implantação do programa que estimula o artesanato na região. Ela falou ainda do projeto de construção de uma adutora que, para ser posto em prática, aguarda liberação da Compesa.
    
Na Secretaria de Saúde de Salgueiro foi constatado que existe uma médica estrangeira trabalhando ilegalmente na cidade. Mas, a secretária municipal de Saúde, Maria Gorete, se comprometeu que a médica vai regularizar a sua situação junto ao Cremepe. Gorete também destacou que existem dez equipes do PSF atingindo, assim, 72% da cobertura local, mas, para melhorar o atendimento são necessárias mais quatro equipes para atingir os 100%. A secretária mostrou os altos índices de violência contra a mulher e disse que é necessária a implantação de uma delegacia da mulher. Ela finalizou afirmando que o maior problema com a saúde é a falta de profissionais.
    
Já os representantes do Conselho Municipal de Saúde informaram que o percentual aplicado em saúde é de 11%, mas a previsão para este ano é 12%. A equipe do Conselho de Saúde também informou que falta humanização da medicina por parte dos profissionais dos PSF e que faltam médicos. Eles sugeriram capacitar os profissionais dos postos de saúde da família já existentes.
    
BELÉM DO SÃO FRANCISCO – Representantes do município disseram que não existe no município alta e média complexidade de casos de doenças, havendo a necessidade de enviar os doentes para outros municípios. Após a reforma do hospital o município entrará na Gestão Plena.
    
FLORESTA – Na cidade a equipe do Cremepe se reuniu simultaneamente com a secretária municipal de Saúde, Ana Elizabete, e com o Conselho Municipal de Saúde na sede da Secretaria. O maior problema enfrentado na cidade, segundo a Secretária, é a falta de água. Algumas ruas estão há mais de quinze dias sem água. Existem três PSF na cidade, sendo um indígena. Segundo Ana Elizabete a cidade precisa de mais quatro Postos de Saúde da Família.
    
O hospital da cidade é municipal e os representantes do Conselho de Saúde disseram ter dificuldades após a municipalização, já que a unidade de saúde atende vários municípios vizinhos. Durante a visita à cidade foi constatado que existe prostituição infantil ligada principalmente ao desemprego e que há também muita violência contra as mulheres, mas poucos casos são registrados.
    
SERRA TALHADA E TRIUNFO – Os municípios foram visitados no mesmo dia pela equipe do Cremepe. A reunião com o Conselho Municipal de Saúde de Serra Talhada e com a Secretaria Municipal de Saúde da mesma cidade aconteceu simultaneamente quando foi tratada a questão do tratamento da água que é precário. A cidade possui também altos índices de hepatite e dengue. Foi dito, durante a reunião, que o lixo hospitalar é enviado para o lixão.
    
SÃO JOSÉDO EGITO E AFOGADOS DA INGAZEIRA – A visita às duas cidades foi feita no mesmo dia pela equipe da Caravana. Em São José do Egito verificou-se que estudantes de medicina exercem a prática da profissão ilegalmente, principalmente no hospital Menino Jesus.
     
Durante a reunião foi citado que o Posto de Saúde da Família tem cobertura de 83%, que possui sete equipes e necessita de mais três. O prefeito da cidade, Evandro Valadares, traçou como pontos negativos o saneamento básico, a prostituição infantil, a falta de segurança e a falta de água. Para ele, os pontos positivos estão relacionados ao funcionamento da saúde e à evolução da educação.
    
Em Afogados da Ingazeira faltam profissionais nos PSF. Lá, o contrato dos médicos é temporário, feito diretamente com a prefeitura. Os conselheiros municipais de saúde não recebem curso de capacitação.
    
SERTÂNIA E CUSTÓDIA – Foras as duas últimas cidades da primeira etapa da Caravana. Os problemas são semelhantes aos das outras cidades: faltam médicos, água tratada e saneamento. A prostituição infantil tem crescido, por conta do alto índice de desemprego das famílias e o alcoolismo é a via de fuga dos pais de família.
    
A segunda etapa da Caravana Cremepe está marcada para começar no dia 18 de abril. Desta vez serão visitadas cidades da Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife.
     
CIDADES A SEREM VISITADAS PELA CARAVANA DO CREMEPE A PARTIR DO DIA 18 DE ABRIL:
     
GRUPO A (REGIÃO NORTE)
     – RIACHO DAS ALMAS
     – PASSIRA
     – ALIANÇA
     – SURUBIM
     – GLÓRIA DO GOITÁ
     – CARPINA
     – TIMBAÚBA
     – LIMOEIRO
     – SÃO LOURENÇO DA MATA
     – VITÓRIA DE SANTO ANTÃO
     – PAUDALHO
     – NAZARÉ DA MATA
     – IGARASSU
     – ABREU E LIMA
     – PAULISTA
     – GOIANA
     – ITAMARACÁ
    
GRUPO B (REGIÃO SUL)
     – MORENO
     – SAIRÉ
     – BONITO
     – BELÉM DE MARIA
     – QUIPAPÁ
     – CATENDE
     – PALMARES
     – GAMELEIRA
     – RIBEIRÃO
     – ESCADA
     – RIO FORMOSO
     – TAMANDARÉ
     – IPOJUCA
     – CABO DE SANTO AGOSTINHO
     – JABOATÃO
     – CAMARAGIBE
    
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe

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