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Voz, cuidado com a sua

Instrumento de trabalho para muitos, a voz requer cuidados especiais para não desaparecer
     
Tão ignorada e tão importante ao mesmo tempo. Assim é a voz. Considerada um dos maiores atributos do ser humano, ela é delicada como um pistom. Por isso, precisa ser bem cuidada. Para os que a utilizam como instrumento de trabalho, a atenção deve ser redobrada. Esses recados serão intensificados a partir do próximo dia 11, quando se comemora, no Recife, a Semana da Voz.
    
A atendente de cadastro Simone de Araújo, 26 anos, sabe bem disso. Há quase um ano, ela está afastada do emprego por dificuldades com a voz. “Raramente tinha problemas na garganta. De repente, a voz foi ficando fraca até que a perdi totalmente”, conta. Quase sem fala, Simone apresenta hoje uma fenda, ou mau fechamento das cordas vocais, o que prejudica a voz. “Por lei, minha doença não é reconhecida como doença de trabalho”, critica a atendente.
    
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel), se os sintomas não são enquadrados como os de doença funcional, o profissional fica impossibilitado de se aposentar, passando a receber apenas um benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que corresponde a um percentual do salário. Até hoje, a profissão não é regulamentada.
    
A fonoaudióloga Vanessa Dowsley Brandt observa que é bastante comum receber atendentes de telemarketing e professores com problemas de voz, em conseqüência da carga de trabalho puxada. “Por questões financeiras, as empresas ainda não despertaram para a importância de ter um fonoaudiólogo orientando os funcionários sobre como usarem melhor a voz. Isso evitaria problemas de saúde”, acredita Vanessa Brandt.
    
Atenta, a professora de Geografia Célia Paz, 60, não dispensa uma garrafinha de água na sala de aula para hidratar as cordas vocais. Além disso, Célia faz gargarejos, usa aerosol de mel com própolis e pratica regularmente exercícios para as cordas vocais. “Preciso me cuidar bastante porque a voz é meu instrumento de trabalho”, diz a professora, com a consciência de quem já sofreu de rouquidão durante vários anos e continuou tendo que enfrentar a sala de aula. Hoje, com a carga horária menor e os cuidados com a voz, o problema já não é mais sentido.
     
PALESTRAS – De 11 a 15 deste mês, a Prefeitura do Recife – em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco, a Fundação de Ensino Superior de Olinda, a Faculdade Integrada do Recife e a Universidade Federal de Pernambuco – vai promover palestras em 12 escolas da rede municipal para orientar os professores sobre saúde e técnica vocal. “A intenção é fazer com que os professores passem a cuidar de sua voz”, explica Custódio Amorim, diretor de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde do Recife.
    
Proteja-se
    
– Beba muita água natural. Recomenda-se dois litros por dia. As cordas vocais precisam estar hidratadas, sobretudo em ambientes com ar condicionado
– Evite falar alto ou gritar, especialmente em locais com muito barulho
– Não fume. O cigarro irrita a mucosa que reveste o aparelho fonador. Também modere nas bebidas alcoólicas
– Evite alimentação excessivamente condimentada, pois pode desencadear o chamado refluxo gastroexofágico (espécie de golfo que causa lesões na laringe)
– Evite ambientes com poeira, mofo e cheiros fortes. Podem fazer mal para a voz, principalmente se você for alérgico
– Procure orientação de um fonoaudiólogo e/ou otorrinolaringologista, se a voz é seu instrumento de trabalho
    
Para aquecer a voz
    
– O primeiro passo é o relaxamento muscular. Movimente o pescoço bem devagar, girando para os lados, para frente e para baixo
– Abra bem a boca sem fazer qualquer tipo de som, como se estivesse fazendo caretas. Melhora a articulação das palavras e fortalece a musculatura
– Respire tranqüilamente, puxando o ar pelo diafragma, e não pelo peito. Repita umas dez vezes
– Mantendo a mesma respiração, solte o ar vibrando os lábios ou a língua como se estivesse fazendo o som de um besouro. Isso relaxa a musculatura e melhora a irrigação sanguínea
– Se não conseguir vibrar os lábios ou a língua, você pode usar um recurso de falar a palavra “parou” ou “torou”, dando ênfase ao R. Isso vai começar a exercitar a vibração, trabalhando a musculatura
– Respire suavemente e solte o ar dizendo o som do S ou do Z
    
FONTES: Fonoaudiólogas Patrícia Balata e Vanessa Dowsley Brandt
    
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe.
Com Informações do Jornal do Commercio.
Jornalista: Marcelo Robalinho.

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