Brasileiro deixa colesterol de lado

Pesquisa revela que mesmo as pessoas instruídas não se preocupam em fazer exercícios e controlar...

Pesquisa revela que mesmo as pessoas instruídas não se preocupam em fazer exercícios e controlar os níveis de gordura no sangue

Uma verdadeira bomba-relógio pode estar bem aí, pulsando no seu peito. Parece exagero? Pode apostar que não. O alerta, em tom de ameaça, é só uma das conclusões preliminares de um estudo inédito conduzido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em conjunto com o Fundo de Aperfeiçoamento e Pesquisa em Cardiologia (Funcor). A investigação, cujos resultados vão sustentar o maior mapa epidemiológico na área cardiológica no Brasil, pretende reduzir a incidência de eventos cardiovasculares como derrames e infartes, principais causas de morte no País.

Dentro do universo de duas mil pessoas pesquisadas, 86% das que tiveram diagnosticadas alterações nos níveis de colesterol simplesmente não se submetem a nenhum tratamento. Além de revelar o tamanho da negligência dos doentes com relação à sua própria saúde, o estudo também demonstra que esse desleixo independe da situação socioeconômica dos pesquisados.

Enquanto 78% das pessoas ouvidas afirmam saber o que é colesterol, 61% reconhecem que nunca se submeteram a exames capazes de detectar alterações nos níveis de gordura do sangue. E mesmo sabendo que o exercício físico é quase uma obrigação para quem apresenta esse tipo de problema, 91% deles admitem que levam uma vida sedentária.

“Quando um paciente desses vem apresentar queixas, isso normalmente só acontece depois da ocorrência de alguma complicação. Nesses casos, geralmente há necessidade de intervenções mais complexas que envolvem o risco de morte”, explica o professor da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de Pernambuco Edgar Victor.

No caso de problemas de colesterol, essa resistência tem um agravante a mais: o preço. “A medicação é cara”, reconhece o presidente da Funcor, Raimundo Marques. Além disso, emenda Victor, a incidência de reações adversas provocadas pelos remédios tende a estimular o abandono do tratamento.

Na maioria dos casos, nem o alerta de especialistas consegue convencer as pessoas do perigo da falta de tratamento. Para a assessora parlamentar Socorro Alves, 58 anos, a falta de força de vontade é a principal desculpa para os freqüentes deslizes na dieta médica. “Me alimento como qualquer pessoa normal e não faço nenhum tipo de exercício”, reconhece ela, que sofre de hipertensão e colesterol elevado há oito anos.

Outra integrante da turma dos descuidados, Amélia Macêdo diz ter consciência dos riscos, mas mesmo assim não consegue obedecer as restrições na dieta. Hipertensa há 20 anos e com níveis de colesterol elevados, ela diz que come de tudo. “Adoro comida pesada, mas minha família começou a me pressionar e eu estou mais cuidadosa”, diz ela, que também começou a fazer caminhadas.

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