TRANSPORTE

Doentes críticos sem transporte

Eduardo Moura Especial para a Folha

Cerca de 140 pacientes renais, portadores do vírus HIV e doentes psiquiátricos de Olinda estão sem receber, desde o início deste mês, aproximadamente 3.500 vales-transportes, oferecidos mensalmente pela Prefeitura para que fossem de casa aos locais de tratamento. Os vales eram distribuídos pela Secretaria de Saúde de Olinda para pacientes residentes na cidade. A medida era tomada porque a verba destinada à Secretaria para a compra dos vales – destinados por lei apenas aos funcionários – permitia que o órgão, por iniciativa própria, estendesse a distribuição aos doentes.

Segundo o secretário de Saúde de Olinda, João Veiga, com o fim da produção de vales-transportes de papel, hoje a EMTU só envia os cartões magnéticos aos estudantes e trabalhadores da Prefeitura mediante a comprovação do vínculo. Por isso, a Secretaria ficou impossibilitada de fornecer vales-transportes para quem faz o tratamento de hemodiálise. “Quando o vale era de papel, só a Secretaria de Saúde dispunha de mais de R$ 30 mil para a compra das passagens. Com a mudança para o cartão magnético, a verba foi reduzida para R$ 23 mil para toda a Prefeitura. Na Secretaria de Saúde, a verba caiu para cerca de R$ 8 mil”, justificou.

O secretário explicou ainda que existe um programa de apoio para o deslocamento de pacientes a hospitais, o PTD (Programa de Transporte Domiciliar), mas que beneficia apenas doentes que moram a 100 quilômetros ou mais do local do tratamento e esses continuam recebendo o apoio financeiro. Ele completou que vai mandar uma carta à EMTU com uma lista de todos os pacientes que necessitam do vale, com nome, endereço residencial e da clínica onde fazem o tratamento, além do histórico hospitalar. “Como não existe nenhuma lei que garanta este direito aos pacientes, vamos tentar, junto com a Prefeitura de Olinda, uma manobra política para resolver o problema. Eu fiz transplante de sangue durante sete anos e entendo o que eles estão passando”.

A assessoria de comunicação da EMTU informou que a substituição do vale-transporte continua em andamento e deve ser concluída em janeiro. Enquanto isso, o vale de papel ainda está sendo produzido, em menor quantidade (pedidos de até R$ 11.500). A EMTU informou ainda que a Prefeitura de Olinda pode continuar com o benefício, adquirindo bilhetes eletrônicos ou repassando o dinheiro aos beneficiários.

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