PESQUISA

Esquistossomose faz mais vítimas

O levantamento, realizado pela Fiocruz entre 1992 e 2000, mostra porque Pernambuco é o segundo Estado do Nordeste em número de casos

A mortalidade por esquistossomose aumentou em Pernambuco, de acordo com pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os óbitos anuais subiram de 128 para 156 em dois anos, aumentando o coeficiente de mortalidade (número de mortes por 100 mil habitantes) de 1,71 para 1,98. A doença, também conhecida como barriga d’água, infecta por ano 200 milhões de pessoas no mundo.
O estudo, realizado pelas unidades da Fiocruz no Rio de Janeiro e no Recife, acompanhou a evolução da doença de 1992 a 2000. Além de internações e mortes por esquistossomose, a equipe analisou a afecção por faixa etária. “A distribuição por idade mostra que a internação hospitalar é um acontecimento importante em todas as faixas etárias”, diz a bióloga Ana Paula Resendes, da Fiocruz do Rio.

O maior número de internações – 27,68% – ocorreu na faixa acima dos 60 anos. Os óbitos são raros em menores de 20 anos, constata a pesquisadora. Nesse grupo, o índice foi de 1,25%. Já no grupo de 40 a 50 anos, ocorreram 14,11% das mortes. “Na faixa etária acima de 60 anos ocorreu o maior número de óbitos, com percentual de 51,18%”, diz a pesquisadora.

A doença ataca mais homens, independentemente da faixa etária. “A mortalidade é também ligeiramente maior no sexo masculino”, constata Ana Paula, que assina, ao lado de Reinaldo Souza-Santos (Fiocruz-Rio de Janeiro) e Constança Simões Barbosa (Fiocruz-Recife), artigo publicado este ano com os resultados da análise na revista científica brasileira Cadernos de Saúde Pública.

Os pesquisadores compararam ainda a evolução da esquistossomose em relação a outros males infecciosos e parasitários. “Apesar da redução no número de internações por essas doenças no período, caindo de 90.256 em 1992 para 47.133 em 2000, observamos um aumento na proporção de internações por esquistossomose de 0,59% para 0,74”, constata Ana Paula. A mortalidade proporcional às outras doenças do gênero também cresceu, subindo de 5,32 para 6,06 no mesmo período.

A doença, que provoca o inchaço do baço e fígado, está concentrada na Zona da Mata do Estado, embora a pesquisa tenha revelado um aumento dos registros de esquistossomose no Sertão. As taxas mais elevadas estão na Zona da Mata, principalmente na parte Norte.

Os pesquisadores associam a presença da esquistossomose em Pernambuco à precariedade das condições de saneamento básico. “Esse fator, aliado ao comportamento da população e a condições ambientais propícias à existência do caramujo hospedeiro intermediário, fazem com que o Estado seja o segundo do Nordeste com as maiores taxas da doença”, conclui.

Gostou ? Então deixe um comentário abaixo.