SAÚDE

SP confirma morte por “febre do carrapato”

Menina picada na zona sul da cidade morreu por febre maculosa; mãe da garota está internada com os mesmos sintomas

FERNANDA BASSETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo confirmou ontem que a garota Luana Monteiro, 12, morreu de febre maculosa. A menina morava na zona sul da capital e foi picada por um carrapato enquanto brincava nas imediações do Parque do Estado. A morte, ocorrida no último domingo, era considerada como caso suspeito de maculosa.

A mãe da criança, Edna Maria Paula Monteiro, 43, continua internada no Hospital Municipal Arthur Ribeiro Saboya, no Jabaquara (zona sul da capital), com os sintomas da doença. Segundo a secretaria, não há previsão de alta.

A febre maculosa é causada pelo carrapato-estrela, principal hospedeiro da bactéria Rickettisia rickettsii, causadora da doença. O carrapato geralmente vive em animais de grande porte, como capivaras e cavalos, mas também pode se alojar em cachorros.

Esse foi o segundo caso de morte pela doença confirmado na cidade de São Paulo. O primeiro aconteceu em fevereiro, na região do Ipiranga, também na zona sul. No ano passado, houve uma morte no mesmo bairro.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, no ano passado, 34 casos de febre maculosa foram confirmados em todo o Estado (com 11 mortes). Neste ano, com a morte de Luana, os casos confirmados são 17 (nove mortes).

Apesar de ainda ser considerada como caso suspeito, a mãe de Luana está recebendo medicamentos para tratamento da febre maculosa. “O estado de saúde dela é estável. Vamos aguardar o resultado do exame sorológico”, disse o epidemiologista Thiago Mendes, da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde).

Ações de prevenção

Ontem pela manhã, um grupo de 30 técnicos e agentes de saúde da prefeitura iniciou as ações de prevenção e orientação da febre maculosa nas imediações do Parque do Estado. O objetivo da equipe é visitar 450 casas (cerca de 1.700 pessoas) até amanhã.
Vinte placas com o desenho do carrapato e informações sobre a doença também serão colocadas nas imediações.

Na área de mata nenhum carrapato foi encontrado. A equipe localizou três escondidos na orelha de um cachorro, dentro de uma casa próxima ao parque. Eles foram levados para análise. “Não é possível dizer se são da espécie que transmite a doença sem que seja feito um exame”, disse Sandro Marques, biólogo da Covisa.

Em contato com os agentes, alguns dos moradores do Jardim Lourdes disseram desconhecer a existência da febre maculosa. “Não sabia que tinha isso [a doença], muito menos que era [transmitida pelo] carrapato”, afirmou a faxineira Sônia Cruz, 44. Emerson Alves Miguel, 23, vizinho de Sônia, comentou que só soube da doença após a morte de Luana. “Está todo mundo com medo por aqui”, disse.

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