BLUE TREE PARK

Hotel faz investigação paralela

O hotel Blue Tree Park, no Cabo de Santo Agostinho, está realizando uma investigação paralela para apurar a ocorrência de um eventual surto de doença diarréica entre hóspedes do estabelecimento que participavam de um congresso jurídico no início do mês. Na ocasião, pelo menos 147 pessoas – entre elas a estudante Bruna Oliveira, 9, que morreu em decorrência de uma infecção generalizada um dia depois de deixar o resort – apresentaram sintomas de intoxicação alimentar. Há suspeitas de que a contaminação tenha origem nos alimentos servidos durante o evento. O caso está sendo investigado pelas vigilâncias sanitárias do Cabo, do Recife e do estado.

Ontem, a presidente da rede Blue Tree, Chieko Aoki, esteve no Cabo e conversou pela primeira vez com a imprensa sobre o fato. Segundo ela, a força-tarefa, como é chamada a equipe designada para realizar a investigação, envolve especialistas nas áreas de auditoria médica e infectologia e técnicos. “Para mim, tudo o que aconteceu é extremamente sério e temos pleno interesse em saber o que aconteceu. A gente tem que aprofundar esta análise e eu espero com isso identificar a causa do problema”, adiantou Chieko. “Se foi ou não infecção causada por alimentos, eu não posso dizer, mas não há dúvida de que pessoas adoeceram”, reconheceu.

Além dos 147 congressistas que relataram sintomas como diarréia, vômitos e febre durante o evento, o hotel informou que alguns funcionários também tiveram um quadro semelhante. Segundo o gerente-geral do resort, Ronaldo Ferreira, alimentos que sobram do bufê servido aos hóspedes são eventualmente reaproveitados no refeitório dos empregados.

Para o infectologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) David Uip, contratado como consultor da investigação, as hipóteses divulgadas até agora pelos órgãos sanitários oficiais são precipitadas. “Não há nada até agora que caracterize um surto e muito menos que relacione o adoecimento dos outros hóspedes com a infecção apresentada pela menina”, disse. Segundo o médico, relatos de contaminação alimentar pela bactéria Streptococcos pyogenes, apontada como responsável pela morte de Bruna, são excepcionalmente raros.

Segundo o gerente do hotel, as análises das 12 amostras de água colhidas pela Vigilância Sanitária deram resultados negativos para contaminação. O resort ainda aguarda o resultado dos exames laboratoriais de nove dos 60 manipuladores de alimentos.

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