TRIBUNA DO NORTE (NATAL)

Médicos não têm interesse no SUS

O impasse entre médicos de diversas categorias, credenciados ao SUS, e a Secretaria Municipal de Saúde continua sem solução. Mais uma reunião está marcada para hoje. Às 17 h, no Palácio Felipe Camarão, representantes da Prefeitura de Natal e do Ministério Público analisam a situação. Enquanto isso, a população continua sem atendimento.

Os médicos anunciaram na última sexta-feira que só há uma maneira do atendimento retornar à normalidade: a Prefeitura assinar contrato com a Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte e essa, por sua vez, fornecer os médicos para o atendimento à população. “Os médicos não têm mais interesse em se credenciar ao SUS”, adiantou Geraldo Ferreira, presidente da Associação Médica do Rio Grande do Norte.

Os médicos que suspenderam o atendimento à população pelo SUS são especialistas em Cirurgia Cardio-Vascular, Eletrofisiologia e Marcapasso, Hemodinâmica, Neurocirurgia e Ortopedia.

Na última sexta-feira, a categoria publicou anúncio nos principais jornais da cidade comunicando o descredenciamento do Sistema Único de Saúde.

Médicos deixam população sem atendimento

Os médicos da categorias citados acima decidiram radicalizar em seu movimento contestatório por discordarem do fato do pagamento dos honorários passar a ser efetuado através dos hospitais conveniados e não mais pela Secretaria Municipal de Saúde.

A Prefeitura convocou as entidades representativas dos médicos para negociar, mas não houve acordo e o Termo de Ajustamento de Conduta entre o órgão público, os médicos e o Ministério Público não foi assinado. Mas o principal fato que torna a situação a mais crítica de todos os movimentos de paralisação já realizados é a disposição da classe médica de não voltar a se credenciar ao SUS.

Dr. Geraldo Ferreira, da Associação Médica, disse que o debate sobre a adoção ou não do Código 45, que prevê o pagamento dos médicos através dos hospitais, já foi superado. O que está em questão agora é o desinteresse dos médicos em voltar a se credenciar ao SUS.

A proposta do Termo de Ajustamento de Conduta, formada pelo Poder Público em conjunto com o Ministério Público, acabou tornando mais acalorado o debate entre médicos e Prefeitura Municipal.

No documento, está definido que os médicos atenderiam até dezembro com o código 7, modelo adotado anteriormente com o pagamento direto ao profissional, e a partir de janeiro seria implantado o código 45, no sistema do novo modelo. Os médicos não assinaram o Termo e com isso a Prefeitura não pagou esta semana, como o previsto, a produtividade referente a setembro.

O presidente da Associação Médica do Rio Grande do Norte garantiu a presença de representantes na classe médica na reunião de hoje.

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