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Alergia a glúten afeta um em cada 50 recifenses

Parceria entre a UFPE e uma universidade italiana garantiu levantamento

Uma pesquisa realizada entre as universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e a de Trieste, na Itália, revelou que uma em cada 50 pessoas no Recife sofrem de celíaca, doença conhecida como alergia à farinha. O principal problema é a intolerância ao glúten. Por afetar o intestino delgado, a doença pode comprometer a absorção de nutrientes tanto em adultos como em crianças. O estudo foi possível graças ao método desenvolvido pela instituição européia – um kit de diagnóstico mais rápido e eficiente. Ele consiste de uma membrana que reage à presença do anticorpo encontrado no sangue do doente, revelando o resultado em até três minutos.

Segundo o pesquisador da UFPE Paulo Roberto de Souza, que participou do estudo, aproximadamente 350 pessoas foram analisadas. “Fizemos a pesquisa com moradores de bairros da Zona Norte e Oeste do Recife, como Casa Amarela e Cidade Universitária. Com a coleta de uma gota de sangue, nós fazíamos o diagnóstico”, revelou. Para ele, o kit de diagnóstico mostrou-se bastante prático. “Além de rápido, é um equipamento de baixo custo e de fácil manuseio, se comparado com o convencional. Nesse, a espera pelo resultado pode levar um dia.”

A pesquisa foi coordenada pelo professor da Universidade de Trieste Sérgio Crovella, que comparou o resultado com a proporção de pessoas que apresentaram a alergia na Itália. Lá, há um celíaco para cada 90 indivíduos sadios. “Na verdade, constatamos que a doença tem uma prevalência no mundo inteiro. Não é uma patologia específica”, afirmou. Os números da incidência no Recife serão usados para um relatório sobre a doença.

O portador pode apresentar dores de barriga, perda de peso, diarréia, anemia e vômito. Quando ela se desenvolve já na infância, os sintomas são mais freqüentes. Há ainda a forma assintomática, que é menos comum, mas pode desenvolver complicações como câncer do intestino, osteoporose, abortos de repetição e esterilidade. O indivíduo doente não precisa receber medicação, apenas retirar a substância da alimentação. “Após três meses sem o glúten, o intestino do paciente volta ao normal”, explicou Sérgio Crovella.

ALIMENTOS – O glúten é uma proteína presente em diversos alimentos à base de trigo, aveia, centeio, cevada e cereais. Alguns medicamentos e bebidas industrializadas também contêm a substância. Nos portadores da celíaca, o glúten, ao entrar em contato com o intestino delgado, provoca um processo alérgico no organismo que achata as microvilosidades existentes no órgão, impedindo seu bom funcionamento.

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