MEDICAMENTO II

Instituição diz que a burocracia impede fracionamento maior

SÃO PAULO – O coordenador-geral do Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos (Cebrim), Radif Domingos, afirmou ontem que o excesso de burocracia e a falta de vontade política impedem que a venda de medicamentos fracionados decole no País. O Cebrim é vinculado ao Conselho Federal de Farmácia (CFF). As informações são da Agência Brasil. Para ele, a compra da quantidade exata do medicamento prescrito pelo médico, autorizada em janeiro do ano passado pelo governo, beneficiará o paciente com uma economia média de até 30%.

“Comprar uma caixa de analgésicos de 30 cápsulas e tomar duas ou três só é um pecado. É jogar dinheiro fora. O fracionamento visa a essa economia. Além de evitar o desperdício, o fracionamento permite que a população de mais baixa renda tenha acesso aos medicamentos . O cliente vai tomar apenas a quantidade necessária para combater a patologia detectada”, disse Domingos.

Segundo ele, 51,7% da população brasileira não tem acesso a medicamentos. Foi com o objetivo de facilitar a compra de remédios pela população que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as medidas para aumentar a oferta de medicamentos fracionados.

O representante de vendas Genilson Gomes, 42 anos, acredita que pode economizar muito com o fracionamento. Ele estima gastar cerca de R$ 100 por mês com remédios, sobretudo para gripe, revigorante, remédios contra estresse e para abrir o apetite. Gomes lembra que já teria sido beneficiado em outras ocasiões com a medida. “Uma vez tive que comprar uma cartela com dez comprimidos, quando usei apenas dois. Paguei uns R$ 5, quando poderia ter pago bem menos”, recorda. “É uma medida maravilhosa. Tenho plena certeza de que o consumidor poderá comprar alguns medicamentos que antes não poderia”, avalia.

Para Radif, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a principal responsável pelo bloqueio das vendas. “A Anvisa engessou o processo de fracionamento, exigindo absurdos das indústrias e drogarias. Isso está causando obstáculos ao desenrolar desse processo que visa o beneficio da população brasileira”, disse ele. É a Anvisa que credencia e autoriza os estabelecimentos a comercializarem medicamentos fracionados.

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