SAÚDE PRIVADA

Plano de saúde Semepe terá novo controlador

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) confirmou ontem a negociação envolvendo o plano, que tem quase 55 mil usuários. Especula-se que comprador é um fundo de pensão

GIOVANNI SANDES

O plano de saúde Serviço Médico de Pernambuco (Semepe), que tem cerca de 54,5 mil usuários, está sendo adquirido por outra empresa, numa operação que lembra a negociação realizada no início do ano entre o Plano de Saúde Santa Clara e a paranaense OPS Planos de Saúde. Naquela transação, apesar da transferência da carteira de usuários, todas as condições contratuais foram mantidas, assim como a rede assistencial. A diferença entre os dois negócios, contudo, é que o Semepe desde o ano passado está sob direção fiscal – uma espécie de intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) –, ao contrário do Santa Clara.

A informação foi dada ontem pelo diretor de Normas e Habilitação de Operadoras da ANS, Alfredo Cardoso. Apesar de ter comentado sobre a operação, ele preferiu não revelar os valores envolvidos ou o nome do comprador. A mudança do controle da empresa deve ser implementada a partir do próximo mês.

A direção do Semepe foi procurada pela reportagem do Jornal do Commercio, inclusive através de sua assessoria de imprensa, mas preferiu não se pronunciar sobre o assunto no momento. Consultado sobre o negócio, o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Flávio Wanderley, disse que não tinha informações a respeito e enfatizou que, “mesmo se tivesse, não estaria autorizado a comentar um assunto exclusivo da empresa.”

Apesar das negativas em comentar o assunto, aparentemente a informação já está bastante pulverizada no mercado. Executivos de empresas concorrentes afirmaram que os rumores sobre a negociação já estão circulando há pelo menos dois meses. A tese mais comentada – e não confirmada – é que a compradora do Semepe seria um fundo de pensão.

Para aprovar uma operação desse tipo, o órgão regulador precisa analisar a saúde econômico–financeira da operadora interessada na aquisição da carteira de usuários e as condições contratuais que serão oferecidas aos clientes. No caso da negociação entre a OPS e Santa Clara, por exemplo, essa avaliação demorou cerca de um mês – de dezembro de 2005 a janeiro deste ano. Quanto a um possível reajuste de mensalidades, apenas quando houve transferência compulsória de carteira (determinada pela ANS), em Pernambuco, houve aumento nas mensalidades.

NO VERMELHO – De acordo com o banco de dados da ANS, o Semepe, que atua no ramo de medicina de grupo há 35 anos, fechou os anos de 2001 a 2004 com resultados líquidos negativos, embora com uma recuperação gradativa. Enquanto em 2001 o Semepe fechou seu balanço em menos R$ 2 milhões, acabou 2004 com um negativo de R$ 299,3 mil. Os números da empresa e de outras operadoras relativos ao exercício de 2005 não foram disponibilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar em seu banco de dados.

Gostou ? Então deixe um comentário abaixo.

Clippings