POLÍTICA

Antônio Dourado morre aos 100 anos

Ex-prefeito de Lajedo foi sepultado, ontem, no cemitério do município

Respeitado como uma das mais expressivas figuras da história política do Interior pernambucano, Antônio Dourado Cavalcanti morreu, à 0h25 de ontem, em sua casa. Ele foi vítima de falência múltipla dos órgãos, e havia completado 100 anos de idade em setembro do ano passado. Na sua trajetória centenária, o veterano e cativante médico, político e jogador de futebol – conhecido pelas suas poucas e sábias palavras, gestos certeiros e por apreciar uma amizade boa e sincera – notabilizou-se pelo currículo eclético e respeitável.

Antônio Dourado estudou Medicina nas principais escolas do País, entre elas a do Recife, a do Rio de Janeiro e a da Bahia, tendo se formado em 1935. No exercício da profissão, pelas mãos dele passaram mais de cinco mil crianças nascidas no município agrestino de Lajedo, situado a 196 quilômetros do Recife, onde ele residiu até a morte.

Eclético por natureza, encontrou no futebol outra grande paixão. Foi jogador profissional, atuando como volante pelo Sport Clube Recife, Vitória, Galícia (atual Bahia) e Flamengo.

Manifestava para os amigos o orgulho de ter sido o primeiro pernambucano a ser campeão brasileiro integrando a seleção da Bahia, em 1933, que venceu a de São Paulo em jogo disputado no estádio da Gávea, do Flamengo, no Rio de Janeiro. Jogando pelo Sport, em 1928 conquistou a taça do Campeonato Pernambucano, e em 1935 foi convocado para jogar pela Seleção Brasileira, contudo, por causa dos estudos não pôde disputar nenhuma partida.

Após a emancipação de Lajedo, foi eleito prefeito de 1953 até 1956. No cargo, entre suas ações destacaram-se a pavimentação de ruas e avenidas, a construção de praças, mais a edificação da sede da prefeitura, do cemitério Santo Inácio e das escolas municipais Padre Emílio e Deolinora Amaral, entre outras.

De 1959 até 1975, assumiu quatro mandatos na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde integrou os partidos Social Democrático (PSD), a Frente Popular Democrática e a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Sua incursão direta na política encerrou-se em 1976, quando passou a orientar os filhos que se lançavam na carreira.

Antônio Dourado Cavalcanti nasceu no Engenho Cordeiro, situado próximo ao município pernambucano de Lagoa Grande. Filho de José Dourado da Costa Azevedo e Sebastiana Cavalcanti Vanderley, era irmão de Maria José Dourado – casada com o deputado estadual Armando de Queiroz Monteiro -, e João Dourado. Em 1938, casou-se com Maria da Penha, da qual ficou viúvo em 1995, e que lhe deu os filhos Antônio José Dourado, médico; Marcantônio Dourado, biomédico e deputado estadual; Antônio João Dourado, engenheiro eletricista e prefeito de Lajedo; Antônio Dourado Cavalcanti Filho, economista; e Antônio Múcio Dourado Cavalcanti, advogado. Rodeado por familiares e amigos, o corpo de Antônio Dourado foi velado na casa da família, em Lajedo, e sepultado às 16h de ontem, no cemitério do município.

O governador Eduardo Campos (PSB) esteve na tarde de ontem e acompanhou todo o cortejo do sepultamento de Antônio Dourado. “Perdemos um homem de bem, um amigo que ganhei há anos pelas mãos do meu avô”, Miguel Arraes. Lajedo sente a falta de Antônio Dourado e nós também”, disse o socialista, antes de deixar o cemitério por volta das 17h, acompanhado da deputada Federal Ana Arraes (PSB), do vice-governador João Lyra Neto (PDT) e do presidente do Lafepe, Luciano Vasquez.

O presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, e o empresário Armando Monteiro Filho também estiveram presentes no sepultamento.

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