VIDA URBANA

Restauraçãode volta à cor original

Depois da polêmica dos arquitetos ao questionarem as cores azul e bege, escolhidas para compor a nova fachada do Hospital da Restauração, um novo processo de pintura de toda a unidade de saúde já começou. Nos próximos meses, a instituição deve exibir tons cinzas, bem mais sóbrios, próximos da textura de concreto aparente, conforme o projeto original do arquiteto Acácio Gil Borsoi, na década de 1950. Por enquanto, uma selagem branca, base necessária para receber uma nova camada de tinta, já está sendo exibida, em substituição à cor azul que havia sido aplicada.

O anúncio da tinta que será utilizada e do novo prazo de conclusão da obra ainda será oficializado, após o término dos laudos da equipe de arqueólogos contratados pela Secretaria de Saúde para descobrir a cor original do prédio. A conquista da categoria, no sentido de preservar a história modernista do Recife, também deve alterar algumas cifras dos cofres públicos da saúde, uma vez que a revitalização proposta pela Secretaria de Saúde custou nada menos que R$ 497 mil e deveria ser concluída dentro de 90 dias, mas prazo e custo devem ser reajustados.

De acordo com o arquiteto Marco Antônio Borsoi, filho e profissional do escritório de Acácio Gil Borsoi, ainda em atividade, o projeto, datado de 1954, foi concebido antes mesmo da existência da empresa, quando seu pai prestava serviços ao funcionalismo público. “Não temos documentos que comprovem a cor original. Mas, até então, nunca foi utilizado um pigmento forte como o azul, que, por sinal, apresentaria problemas de durabilidade”, afirma.

Segundo a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, regional Pernambuco, Vitória Régia de Andrade, um procedimento de decapagem deve ser contratado pela Secretaria de Saúde. Ele consiste na retirada de todas as camadas de tinta remanescentes nas paredes até que se chegue à cor original. “Ficamos felizes com a decisão porque é uma forma de preservação que deveria ser padrão. Outros prédios da mesma época, inclusive, necessitam de revitalizações e os responsáveis começaram a nos procurar para diagnósticos, o que mostra que esse incidente acabou servindo de uma lição importante”, opina. Como forma de não paralisar as obras e adiantar o processo, a direção de engenharia do HR decidiu adiantar a preparação para o recebimento da nova tintura, com processos de raspagem e selagem nas paredes em que ainda não havia sido aplicado o azul. “O que foi pintado recentemente começará a ser alterado qando a referência da nova coloração estiver definida”, afirma o diretor Florêncio Absalão.

Apesar de ser um marco da arquitetura modernista da cidade do Recife, o prédio do Hospital da Restauração nunca atendeu, de fato, à proposta de Acácio Gil Borsoi. Concebido em 1954, em uma época em que o volume tinha bem mais relevância que a coloração exibida, nem mesmo o desenho do arquiteto chegou a se materializar por completo.

A área da emergência pediátrica, por exemplo, hoje composta por uma rampa lateral e sacada, na verdade seria um grande “braço” do hospital, cujo acesso seria diretamente ligado à atual Avenida Agamenon Magalhães.

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