VIDA URBANA | Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Em defesa dos direitos das crianças

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Terceira Marcha Pernambuco contra o Trabalho Infantil ganhou as ruas do Centro do Recife ontem para pedir o fim da exploração

Cataventos coloridos foram erguidos nas ruas do Centro do Recife durante a 3ª Marcha Pernambuco contra o Trabalho Infantil para lembrar que crianças e adolescentes devem estudar e brincar, longe da exploração. A realidade desejada pelas cerca de 500 pessoas que participaram da caminhada, porém, está longe de ser concretizada. Aproximadamente 146 mil crianças e adolescentes ainda trabalham em Pernambuco. De 2011 a 2013, a taxa de trabalho infantil cresceu 20%. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013, divulgada este ano.

Só em 2015, até julho, 388 meninos e meninas foram resgatados do trabalho infantil, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “Essa é uma realidade do interior e capital do estado. No interior, as crianças são exploradas principalmente em feiras livres. No Recife, é comum encontrá-las nas praias, mercados e semáforos”, afirmou a coordenadora de fiscalização de combate ao trabalho infantil do MTE, Roberta Moreira.
Segundo ela, o perfil da maioria dos resgatados é o mesmo: meninos de 10 a 15 anos.

São crianças como Marcelo Nascimento, 15 anos. Até 2014, ele trabalhava em um lava-jato na Zona Oeste do Recife. Limpava tapetes de carros luxuosos, lavava vidros e carregava equipamentos pesados. Mesmo matriculado numa escola, faltava às aulas. “Quando o dono não gostava eu tinha que refazer o serviço e acabava ficando lá das 7h às 18h”, lembrou. Marcelo foi resgatado do trabalho e, hoje, frequenta as aulas na Escola Estadual Débora Feijó, na Mangueira, e é aprendiz do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

“Só existe trabalho infantil porque tem alguém que paga por ele. É preciso que a sociedade se conscientize que isso é grave”, pontuou Lioniza Santos, da Secretaria de Desenvolvimento Social da Criança e Juventude.

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