CIDADES | Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Um novo olhar para o câncer

No penúltimo dia da série Novembro Azul, especialistas apresentam novos caminhos para o tratamento do tumor de próstata avançado, além da utilidade dos testes genéticos. A série termina amanhã com destaque para os cuidados essenciais que os homens não devem menosprezar.

Até 2010, quando um paciente recebia o diagnóstico de câncer de próstata avançado (estágio em que o tumor cresce fora da glândula ou se dissemina para outras áreas do corpo), o tratamento era basicamente paliativo, com o objetivo de ajudar a aliviar os sintomas, mas sem a meta de curar a doença. Nesse período de cinco anos, começaram a surgir diversos medicamentos que proporcionam sobrevida e mais bem-estar aos pacientes com o tumor em estágio avançado, que representam 10% dos quase 69 mil novos casos de câncer de próstata a cada ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca).

“Só este ano, chegaram ao Brasil dois medicamentos orais: a abiraterona e a enzalutamida. São drogas que podem retardar o progresso da doença e aumentar o tempo de sobrevida desses pacientes com melhora da qualidade de vida”, diz o urologista Misael Wanderley dos Santos Júnior, doutor em cirurgia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). No País, há outras duas substâncias que podem prolongar a vida desses pacientes em até seis meses. A indicação dessas opções terapêuticas foi discutida durante o 35º Congresso Brasileiro de Urologia, que terminou no último dia 4 de novembro no Rio de Janeiro.

Na ocasião, urologistas, oncologistas e médicos nucleares discutiram questões sobre o assunto que resultaram no 1º Consenso Brasileiro de Tratamento do Câncer de Próstata avançado, cujas diretrizes orientam os especialistas a conduzirem de forma mais segurança o tratamento da doença em estágio avançado. “Há um novo olhar para o câncer de próstata resistente à castração, que é aquele em que a doença já não responde a bloqueio hormonal. As novas medicações chegaram para oferecer um aumento da sobrevida nesses casos. Até pouco tempo, os pacientes não tinham a chance de conviver com a doença e morriam”, reforça Misael.

O detalhe é que são modalidades terapêuticas de alto custo. “Chegam a custar cerca de R$ 8 mil por mês. Os pacientes têm acionado a Justiça para ter acesso ao tratamento.” Outro avanço, segundo o urologista, diz respeito à vacina terapêutica chamada de Sipuleucel-T, ainda não disponível no Brasil. Diferentemente das vacinas tradicionais, que previnem doenças infecciosas, ela estimula o sistema imunológico para combater as células tumorais do câncer de próstata. “É uma vacina que aumenta a sobrevida, mas ainda é pouco usada, inclusive nos Estados Unidos”, comenta Misael.

As novas perspectivas para o câncer de próstata ainda incluem o mapeamento genético, que possibilitará o diagnóstico da doença até o fim desta década. Além disso, especialistas já alegam que alguns homens podem se beneficiar com a realização de testes capazes de identificar mutações em genes que podem estar associados a um risco elevado de câncer de próstata. “Sabemos que mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem aumentar a chance de desenvolvimento do tumor, assim como de câncer de mama”, diz o médico João Bosco Oliveira, diretor-executivo do laboratório Genomika, no Recife. Ele diz que ainda não faz parte da rotina médica indicar o teste genético para câncer de próstata, mas os pesquisadores já sabem que essa investigação pode ter valor para homens que têm mais de três parentes de até terceiro grau com a doença. “Nesses casos, se confirmada a mutação em um desses genes, os exames da próstata devem ser iniciados dez anos antes de o parente ter desenvolvido o câncer”, registra João Bosco.

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