VIDA URBANA | Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Bebês com microcefalia têm tratamento de visão

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Estudo da Fundação Altino Ventura avaliou 55 crianças no estado. Desse total 40% apresentaram problemas devido à malformação

A Fundação Altino Ventura (FAV) divulgou ontem mais dados sobre o estudo que está sendo realizado da visão das crianças com microcefalia. Cerca de 40% dos 55 bebês avaliadas pela pesquisa apresentaram alteração ocular, principalmente na mácula, no nervo óptico, na retina e na coroide. O estudo também identificou casos de estrabismo e um de glaucoma congênito unilateral.

De acordo com a coordenadora do estudo, a oftalmologista Camila Ventura, as estruturas acometidas são fundamentais para o desenvolvimento da visão. “Uma vez acometidas, a gente sabe que tem que intervir para estimular o desenvolvimento dessa visão”, afirmou a médica. Ela explicou ainda que quanto mais cedo é realizado o diagnóstico, mais rápido pode ser iniciada a reabilitação e estimulação visual precoce da criança.“A área que mais vezes foi afetada de alterações foi a mácula, que é responsável pela precisão da visão. As crianças com esse diagnóstico precisam de um tratamento mais agressivo para tentar melhorar essa visão que está comprometida na área central. Ainda não há como reverter esse dano, mas tem como melhorar”, esclareceu.

A oftalmologista também reitera que o crescimento das crianças é importante de ser acompanhado para poder avaliar a evolução da sua condição. Esse acompanhamento apontado por Camila é oferecido pela FAV dentro do Sistema Único de Saúde. O estudo coordenado por Camila Ventura teve início em dezembro na FAV, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para a oftalmologista Liana Ventura, que está à frente da pesquisa é importante que a mãe também realize os exames oftalmológicos, uma vez que também podem ter as suas estruturas óticas afetadas. “As camadas nervosas do olho são muito sensíveis a qualquer tipo de infecção. Os agentes infecciosos se alojam, afetando principalmente as estruturas nobres do olho, no caso, a retina e o nervo óptico”, detalhou a médica.

Ainda ontem, mais 50 crianças e suas mães participaram de um mutirão de exames oftalmológicos para detecção de problemas que possam estar relacionados ao zika vírus no Centro Especializado de Reabilitação Menina dos Olhos, no bairro da Iputinga. Desse total, 48 recém-nascidos foram encaminhados pelo Hospital Universitário Osvaldo Cruz, pelo Hospital Barão de Lucena e pela Associação de Assistência à Criança Deficiente e nem todas as crianças tinham o quadro de microcefalia relacionada à zika confirmado. Avaliação durou 30 minutos.

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