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MICROCEFALIA Bebê ganha novos estímulos depois de usar óculos. Fundação Altino Ventura busca parceiros para doações

Há 15 dias, ao colocar os óculos de grau pela primeira vez, o pequeno Matheus, 4 meses, passou a observar tudo à sua volta e a se encantar com um universo de informações visuais importantes para estimular a capacidade cognitiva, motora e afetiva. “É incrível como ele começou a prestar atenção nas pessoas caminhando nas ruas e a fixar os olhos nas cores, principalmente naquelas mais fortes e no preto com branco”, relata a mãe de Matheus, a dona de casa Hilda Venâncio da Silva, 38 anos, que contou com a ajuda de um grupo da igreja que frequenta para conseguir os óculos de grau para o filho, que nasceu com microcefalia. A rotina de cuidados, da qual não abre mão, é intensa e realizada com muito esmero.

Assim como outros bebês com a malformação congênita, Matheus participa de uma série de atividades de estimulação precoce e reabilitação capazes de potencializar um melhor desenvolvimento da criança com microcefalia, em especial até os três anos, período em que as chances de resposta aos estímulos são intensas. A cada quinta-feira, a agenda de Hilda tem um compromisso que considera o cuidado como ação terapêutica: ela leva o filho ao Centro Especializado em Reabilitação da Fundação Altino Ventura (FAV), no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, para realização de valiosas terapias.

“Matheus faz tudo num dia só: estimula a visão, a audição e a parte neuropsicomotor. E eu ainda recebo apoio psicológico”, conta Hilda. No centro da FAV, profissionais conversam com as famílias sobre a importância de manter atividades em casa para não deixar passar a janela de oportunidades capaz de promover a capacidade de desenvolvimento da criança com microcefalia. “É importante os pais usarem peças de roupas que mesclem cores de alto contraste, como preto e branco, amarelo e vermelho”, orienta a presidente da FAV, Liana Ventura. Oftalmopediatra, ela tem coordenado uma investigação ampla sobre a saúde visual dos bebês com a malformação congênita associada ao zika.

Ao todo, 150 bebês com a malformação já foram avaliados pela instituição. O atendimento oftalmológico tem sido listado como uma das prioridades. “Com o acompanhamento regular desses pacientes por toda a infância, podemos intervir de forma precoce se alguma complicação aparecer. Dessa maneira, evita-se até uma possível dificuldade na aprendizagem. Sabemos que muitos desses bebês precisam de óculos especiais”, diz Liana.

PARCEIROS

A médica procura parceiros nacionais ou internacionais que possam custear o acessório para essas crianças. “Muitas precisam de óculos, mas a maioria das famílias não pode comprar por causa do custo alto. Só a armação chega, em média, a R$ 500. E ainda tem o custo das lentes, que têm grau e ampliam o campo de visão do bebê.”

Para os pequeninos como Matheus, as armações devem ser emborrachadas (para evitar machucar e quebrar) e ter um elástico entre as duas hastes, o que ajuda a fixá-las na cabeça. A neuropediatra Vanessa Van der Linden acompanha Matheus na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e não tem dúvidas de que a prescrição de óculos de grau é importante já nos primeiros meses de vida quando o bebê com microcefalia apresenta alteração ocular. “Eles passam a responder melhor às atividades de estimulação visual, o que promove o desenvolvimento.”

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