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Recursos para facilitar o atendimento

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Aporte de R$ 2,2 mil por caso suspeito de microcefalia será repassado pelo governo federal aos estados e usado na busca ativa, transporte e hospedagem

O dia amanheceu trazendo incertezas para a dona de casa Vera Lúcia Silva, 31 anos. Moradora do município de Escada, ela precisa vir ao Recife por causa do tratamento da filha Sofia, mas não sabe se conseguirá transporte para chegar à capital. Desde que a criança nasceu, há dois meses, com microcefalia, a família tem se virado como pode para conseguir cumprir a agenda de médicos. “Já deixamos várias vezes de ir ao atendimento, pois cada viagem em carro particular custa R$ 180. Pegamos até dinheiro com agiota para pagar.”

Essa realidade é comum para famílias de outros bebês com microcefalia do interior. Ontem, o Ministério da Saúde e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome anunciaram o aporte de R$ 2,2 mil para cada caso suspeito, a ser repassado aos estados. O dinheiro será usado para a busca ativa dos casos, transporte, hospedagem e diagnóstico por imagem.

Os estados que não conseguirem realizar o diagnóstico e encaminhamento para os serviços de reabilitação durante a vigência da portaria terão descontados os valores pagos antecipadamente. A portaria interministerial que estabelece a Estratégia de Ação Rápida para o Fortalecimento da Atenção à Saúde e Proteção Social das Crianças com Microcefalia prevê que os estados façam a busca ativa e o encaminhamento para os serviços de reabilitação até 31 de maio. O plano também inclui instrução para solicitação do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O investimento total será de R$ 10,9 milhões. “Este apoio é importante para dar celeridade ao conhecimento de cada caso. Essa é uma questão humanitária, para que as famílias saibam se seus filhos notificados estão ou não com microcefalia”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

O aporte será dividido em duas parcelas de R$ 1,1 mil por criança identificada, nos meses de março e abril. Novos casos notificados também serão incluídos na estratégia.

Pernambuco tem atualmente 1.179 notificações, das quais 256 estão confirmadas e 297 descartadas, segundo boletim divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde. O estado iniciou a busca ativa para identificar bebês que não voltaram à rede para fechamento do diagnóstico.

“Existe uma dificuldade, pois os diagnósticos precisam ser fechados. Há muitas lacunas abertas e o dinheiro poderá ser usado para trazer algumas respostas. Também será feito ajuste de fluxo para identificar as dificuldades das famílias em chegar às unidades de referência”, afirmou a coordenadora do programa de controle de dengue, chikungunya e zika de Pernambuco, Claudenice Pontes.

Segundo boletim da SES, Pernambuco tem 10,8 mil casos notificados de chikungunya, 37,7 mil de dengue – o que representa um aumento de 104% em relação ao mesmo período do ano passado, e 5,7 mil de zika.

pesquisa
Estudo publicado ontem pela revista médica britânica The Lancet afirma que a microcefalia atingiu uma em cada cem grávidas infectadas pelo zika vírus no primeiro trimestre da gestação, durante um surto registrado na Polinésia Francesa entre 2013 e 2014. Para apontar o risco de 1%, pesquisadores do Instituto Pasteur de Paris se basearam no número de nascimentos durante a epidemia no território francês no Oceano Pacífico Sul. Ainda será preciso observar se as decobertas se aplicam a outros países, como o Brasil.

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