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Chikungunya: nova morte investigada

Fonte: Folha de Pernambuco

Mais um morte em decorrência da chikungunya no Recife pode se confirmar nos próximos dias. O óbito investigado é o de uma mulher de 54 anos e foi notificado em dezembro de 2015. Os primeiros exames positivaram para o vírus, mas se encontram em processo de validação. Se o diagnóstico se confirmar, subirá para três as mortes por chikungunya na capital. Os outros casos foram de janeiro e fevereiro deste ano, nos bairros de Água Fria e Ilha do Retiro, onde morreram duas mulheres, sendo uma de 57 e outra e 88 anos. Em boletim divulgado, pela Secretaria de Saúde do Recife, no último dia 18, a cidade somava 24 mortes suspeitas de arboviroses. No Estado, de janeiro até o último dia 19, 288 casos e chikungunya foram confirmados e 408 descartados.

Numa estratégia para conter agravamentos e óbitos, a Secretaria municipal lançou, ontem, o protocolo de assistência para os pacientes com chikungunya. Como a Folha e Pernambuco antecipou, as novas diretrizes para o cuidado avaliarão o paciente segundo a fase da infecção. Verificará se o doente está na fase aguda (entre três e sete dias dos sintomas), subaguda (entre sete dias e três meses) e crônica (a partir de três meses). A partir daí, haverá uma avaliação da intensidade da dor que o paciente está sentindo. Para isso, será aplicado um questionário com o enfermo.

“Essa escala de dor é validada cientificamente pela Organização Mundial da Saúde e por experiências de outros países que tiveram epidemias com a chikungunya”, comentou o secretário de saúde do Recife, Jailson Correia. Essa combinação entre fase da doença e a ocorrência de dor é que indicará que cuidados e remédios o paciente terá na rede de saúde. A regra geral é: gelo nas articulações, repouso e hidratação. Mas os casos graves sugerem a prescrição de medicamentos derivados de morfina e corticoides.

Todo esse desenho foi apresentado para 400 profissionais, entre médicos e enfermeiros que atuam na atenção básica e fisioterapeutas do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) que começaram a ser treinados. “Vamos normatizar a conduta com relação ao tratamento da dor, mas também abordar o acolhimento, a orientação com relação à evolução da doença”, disse a gerente geral das Políticas Estratégicas, Zelma Pessoa.

Um dos pontos-chave para evitar mortes será a identificação rápida de doentes que apresentem algum sintoma de dor neuropática, com dormência, formigamentos ou perda de sensibilidade. Esses podem ser sinais de gravidade para quadros neurológicos como mielites (inflamação na medula) ou encefalites (inflamação no cérebro). Outro fator de alerta é a ocorrência de convulsão no estágio agudo da chikungunya.

AUTOMEDICAÇÃO

Correia alertou que as medicações novas, principalmente as mais potentes, podem representar risco se tomadas sem prescrição e sem orientação médica. “Um exemplo: uma pessoa que é hipertensa, e não sabe por algum motivo, passa a tomar corticoide sem controle e sem uma regulação adequada sobre o tempo de duração ou a quantidade. Esse corticoide pode aumentar a pressão arterial. Ele pode desorganizar um tratamento que estava sendo feito para o diabetes também. Alguns tipos de corticoides e mesmo de antiinflamatórios podem levar à inflamação gástrica, e a interrupção abrupta no uso pode causar falência das glândulas suprarrenais”, enfatizou.

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