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Nascimentos têm redução de 10% em Pernambuco

Fonte: Diario de Pernambuco

A epidemia do vírus zika, aliada às ocorrências de microcefalia em recém-nascidos, pode ter sido o principal motivo da redução no número de nascidos vivos em Pernambuco entre os anos de 2015 e 2016. As Estatísticas do Registro Civil 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas ontem, apontam que o número de registros de nascimentos no Brasil foi 2,79 milhões em 2016, o que representa uma queda de 5,1% em relação a 2015, quando houve 2,95 milhões de registros. Desde 2010, quando foi registrada uma redução comparada ao ano anterior, não se via tal fato no país. Pernambuco, estado com situação mais grave relacionada ao zika e à microcefalia, apresentou maior redução, com menos 10% de nascimentos.
O fato não causou surpresa à pesquisadora pernambucana Sandra Valongueiro. No ano passado, em plena epidemia do vírus, ela ouviu depoimentos de mulheres de várias classes sociais do Recife e de Belo Horizonte sobre o impacto nos planos de engravidar por causa dos riscos da microcefalia nos bebês, relacionados ao vírus zika.
“No segundo semestre de 2016, constatamos que houve uma redução em torno de 10% nos nascimentos em Pernambuco. Foi um período logo após o auge da epidemia, no fim de 2015, ou seja, em outubro e novembro, quando as mulheres poderiam ter engravidado. Quem queria ter filho adiou o desejo por conta do medo. Isso foi registrado em todas as classes sociais. Sabe-se, no entanto, que essa redução pode ser temporária e não se sustentaria em 2017”, explicou.
Junto com a pesquisadora Leticia Marteleto, professora do Centro de Estudos de População da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, Selma Valongueiro publicou um artigo na revista Population and Development Review sobre o assunto. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, em 2015 foi registrado no estado um total de 145,024 nascidos vivos. No ano passado, o número caiu para 130,757, uma redução de cerca de 10%.
A região com menor queda no país foi o Sul, com menos 3,8%, e a com maior queda foi o Centro-Oeste, com menos 5,6%. A crise econômica também foi citada como motivação para o adiamento da gravidez das mulheres no país. Cristiane Moutinho, pesquisadora do IBGE, citou outros fatores que influenciaram na redução do número de nascidos vivos.
“Além da tendência crescente de ter filhos mais tarde, várias famílias podem ter se assustado com a epidemia de zika que afetou o país entre 2015 e 2016, associada ao nascimento de bebês com microcefalia. Já em Roraima, fatores específicos, como a imigração de venezuelanos, podem ter contribuído para o aumento no número de nascimentos. É preciso haver mais estudos e cruzamento com os dados do Ministério da Saúde para analisar as situações nas diferentes unidades da Federação”, concluiu.

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