OPINIÃO | Fonte: Diario de Pernambuco

A febre que não é amarela

Gustavo Figueirêdo
Especialista em saúde mental e psicólogo clínico

Recentemente a sociedade vem presenciando a volta de uma imigrante, em terras brasileiras, chamada: febre amarela. Venho por meio desta, refletir: como estamos nos prevenindo enquanto comportamento? A prevenção é necessária? Sim. Mas como?

A palavra febre é oriunda do latim (febris) que no seu sentido figurado quer dizer: “ânsia de ter, de possuir; desejo ardente; anseio”. Com o medo de adquirir o vírus será que estamos com desejo ardente de permanecermos com saúde; ou estejamos com a ânsia de ter que passarmos pelo processo da morte? Ou seja, por algo do desconhecido.

Se pudéssemos entender a morte como um dos cômodos de uma casa, onde a estivesse na parte mais interna da mesma; provavelmente, nessa lógica, o terraço poderia ser denominado de desespero. O oposto do desespero é a esperança (“…confiança em coisa boa…”). Por que não conseguimos ir ao encontro da morte com esperança? Confiante como uma coisa boa?

Segundo, o historiador francês Philippe Ariès, em seu livro, História da Morte no Ocidente, fala que: “Não é fácil lidar com a morte, mas ela espera por todos nós… Deixar de pensar na morte não a retarda ou evita. Pensar na morte pode nos ajudar a aceitá-la e a perceber que ela é uma experiência tão importante e valiosa quanto qualquer outra”.

No entanto, será que não estejamos precisando edificar os cômodos dos nossos lares sentimentais, para melhor aspirarmos à vida? Ou iremos continuar indo, em manada, em busca da sobrevivência? Assim como aos postos de saúde; ou até mesmo, os assassinatos, em série, dos nossos primatas (macacos).

Por fim, caro leitor, eis a questão! Ainda somos classificados seres racionais? Ou almejamos as condutas de vidas febris (de vidas desesperadoras)? Será que vale uma reflexão?

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