METRÓPOLE | Fonte: O Estado de S. Paulo

SUS vai ofertar mais 10 terapias alternativas

Ministério da Saúde anunciou ontem uma lista de dez terapias alternativas que serão oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), gratuitamente, a partir de hoje. Agora, no total, há 29 procedimentos complementares – a maioria não reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Entre as novas terapias estão aromaterapia, bioenergética, imposição das mãos e terapia de florais.

Elas se somam a outras 19 já oferecidas no SUS, como musicoterapia.

Daniel Amado, coordenador do programa de práticas integrativas do ministério, responsável pelas terapias, defendeu a importância das estratégias para evitar doenças.

Especialistas ouvidos pelo Estado, porém, criticaram a decisão.

Segundo eles, muitas dessas terapias não têm sequer eficácia comprovada cientificamente.

Além disso, destacaram que, diante de um orçamento escasso e de um serviço de saúde muitas vezes precário, seria antiético não priorizar o oferecimento de tratamentos básicos.

“As práticas alternativas não têm base em evidências”, afirmou o presidente do CFMCarlos Vital. “Essas práticas só oneram o sistema e não deveriam ser incorporadas.” Coordenador da pós-graduação em Bioética da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da Associação Internacional de Ética em Educação, Volney Garrafa concorda com as críticas.

“Essa priorização na alocação de recursos é feita com base na ética: o que vai trazer mais benefícios, para o maior número de pessoas, pelo maior tempo possível, trazendo menos consequências.” Para Garrafa, ainda que algumas das terapias tragam benefícios, caso da meditação e da acupuntura, a questão maior é ter critérios e transparência na alocação do dinheiro público.

Das 29 práticas alternativas oferecidas pelo SUS, o Conselho Federal só reconhece uma: a acupuntura. Mesmo assim, segundo Vital, em termos muito diferentes dos estabelecidos pelo programa governamental, como “uma especialidade de alto grau de complexidade”.

Defesa. Ricardo Barrosministro da Saúde, disse que, com a novidade, o País passa a ser “líder” na oferta dessa modalidade na atenção básica. “Essas práticas são investimento em prevenção à saúde para evitar que as pessoas fiquem doentes.

Precisamos continuar caminhando em direção à promoção da saúde no lugar de cuidar apenas de quem fica doente.” A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares foi criada em 2006, com cinco procedimentos. No ano passado, foram incorporadas 14 atividades.

De acordo com o ministério, as terapias são oferecidas em 9.350 estabelecimentos em 3.173 municípios, a maior parte deles na atenção básica. No ano passado foi registrado 1,4 milhão de atendimentos. A prática mais procurada atualmente é a acupuntura.

“Os relatos que nós temos é de que os serviços que oferecem as práticas têm redução nos custos com adoecimento”, afirma Daniel Amado. Ele diz não saber qual o orçamento destinado especificamente às terapias complementares.

De acordo com o coordenador do programa, as práticas fazem parte da atenção básica de saúde, que repassou para os municípios, no ano passado, R$ 17,2 bilhões.

AS NOVAS ESTRATÉGIAS

l Apiterapia Uso de produtos extraídos em colmeias – como apitoxina, geléia real, pólen, própolis e mel – para tratamento terapêutico.

l Aromaterapia Uso de óleos essenciais e outras fragrâncias para aumentar o bem-estar físico e psicológico.

l Bioenergética Adota a psicoterapia corporal e exercícios terapêuticos. Ajuda a liberar tensões e a expressar sentimentos.

l Constelação familiar Técnica de representação de relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais.

l Cromoterapia Uso das cores em tratamentos para harmonizar o corpo e as emoções.

l Geoterapia Técnica que utiliza argila com água para aplicação em ferimentos, cicatrizações e lesões. Também usada em doenças osteomusculares.

l Imposição de mãos Cura pela imposição das mãos para transferência de energia ao paciente. Promove bem-estar, diminui o estresse e a ansiedade.

l Hipnoterapia Conjunto de técnicas que induzem o paciente a alcançar estado de consciência aumentado e permitem alterar comportamentos indesejados.

l Ozonioterapia Mistura de oxigênio e ozônio com finalidade terapêutica. Técnica pode ser usada na odontologia, neurologia e oncologia.

l Terapia de florais Uso de essências florais que modificam os estados vibratórios do paciente. Ajuda no equilíbrio e na harmonização.

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