COTIDIANO | Fonte: Folha de Pernambuco

Superlotação afeta atendimento em UPAs

Fonte: Folha de Pernambuco

Com oito anos de funcionamento no Estado, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ajudaram a desafogar as grandes emergências dos hospitais, mas absorveram o antigo problema da superlotação nas portas de entrada da saúde pública. Com pacientes excedendo o limite da capacidade física e humana de assistência, por vezes os plantões são fechados para a população e até mesmo estabelecidas restrições aos socorridos pelos Bombeiros e Samu. Algumas dessas situações foram descritas nas UPAs da Caxangá, Torrões e Olinda, por denúncias que chegaram à reportagem. No desarranjo do fluxo nas UPAs estão casos de doentes que poderiam ter sido absorvidos pela atenção básica e outros que já deveriam ter sido transferidos para leitos de internamento.

“Realmente a gente vem percebendo, desde o ano passado, um aumento considerável no número de pacientes que procuram a unidade. Quando há superlotação, temos um protocolo, um plano de crise, em que reunimos os policiais militares do posto daqui, porteiro, assistente social, médicos e enfermeiras de plantão para decidir, nesse momento extremo, sobre deflagrar o processo de restrição de plantão”, explicou a coordenadora geral da UPA da Caxangá, Josenilda Almeida.

A restrição é amparada por conselhos profissionais e secretarias de saúde. Segundo ela, o procedimento é eventual. Em 2018, em duas ocasiões houve esse tipo de bloqueio: 3 e 30 de janeiro. Em ambos os dias a grande procura não esteve relacionado a algum evento epidemiológico. Para se ter ideia, no dia 30 a unidade estava com 460 atendimentos em curso, 22 remoções pendentes, 60 pacientes aguardando nas recepções e superlotação nas salas vermelhas e amarelas. Em 2017, aconteceram “fechamento de plantões” na Caxangá nos dias 24 de fevereiro e 12 de dezembro.

A UPA de Olinda, em nota, confirmou 12 episódios de restrição emergencial de atendimento apenas em 2018, diante da impossibilidade de acomodar pacientes. A coordenação informou que Samu e o Corpo de Bombeiros (Cobom) são comunicados da condição da UPA e solicitados que, quando possível, os pacientes sejam encaminhados para unidades mais próximas.

Assim como outros serviços ouvidos pela Folha, o centro de Olinda afirma que, mesmo com a comunicação de superlotação, nenhum paciente com urgência e emergência, vindo por iniciativa própria ou trazido pelo Samu e/ou bombeiros, teve seu atendimento negado. Olinda ainda justificou que “o principal motivo da superlotação (na unidade) é a falta de vagas nos hospitais de referência. A UPA deveria ficar com o paciente por, no máximo, 24 horas, porém está com pacientes há cinco dias aguardando vagas nos hospitais de referência e convênio”.

A unidade dos Torrões não informou quantas vezes houve restrição de plantão neste ano, mas a assessoria destacou que a intervenção teve regras pactuadas pelas chefias dos serviços de socorro, Secretaria Estadual de Saúde e Ministério Público. Em nota, afirmou ainda que durante o plano de crise, os pacientes que cheguem são triados e avaliados sobre o possível redirecionamento ou não deles para outro serviço de saúde. Os usuários apontam que, mesmo sem restrição oficial de plantão, a rotina é de dúvida em relação ao atendimento. “Vim trazer meu filho que está com a garganta inflamada, cheguei de manhã e acho que saio apenas à noite, por causa da quantidade de pessoas. Sempre é superlotado”, comentou a aposentada Célia Alves, 62 anos.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) ressalta que os casos de contingenciamento no atendimento são pontuais, apenas quando há alta demanda de pacientes sem a disponibilidade de equipamentos que garantam a segurança dos usuários. Nesses casos, os serviços de resgate são comunicados imediatamente para que façam o redirecionamento de suas viaturas para outros locais. Os bombeiros confirmaram que diariamente fazem um monitoramento das UPAS para evitar peregrinações com pacientes.

Sobre os gargalos de atendimento, a pasta destacou que as UPAs são equipamentos que fazem parte da Política de Atenção às Urgências e onde devem ser priorizados casos mais graves. E que os casos ambulatoriais deveriam ser atendidos pelos serviços de atenção primária – ambulatórios, policlínicas e programas de saúde da família. Contudo, em 2017, mais de 70% dos pacientes das UPAs eram de baixa complexidade.

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