BRASIL | Fonte: Jornal do Commercio

Sarampo mata dois no rio

RIO – A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou ontem a ocorrência de dois casos de sarampo no Rio de Janeiro. As amostras foram analisadas pela Fiocruz, laboratório de referência do Ministério da Saúde. Desde a primeira suspeita da circulação de sarampo, a SES e a Secretária Municipal de Saúde do Rio de Janeiro têm trabalhado em parceria. Pelo menos 17 casos suspeitos estão sendo investigados.

No dia 3 de julho, a Secretaria Municipal de Saúde realizou ação de vacinação de bloqueio no campus da Faculdade de Direito da UFRJ, onde estudam as pacientes que tiveram os casos confirmados e em parceria com a SES tomou uma série de medidas de prevenção e análise dos casos.

O sarampo é uma doença contagiosa, de transmissão respiratória, causada por um vírus. Manchas vermelhas na pele, febre, tosse e conjuntivite são alguns dos sintomas.

A proteção contra o sarampo faz parte das vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral, disponíveis conforme calendário de vacinação do Ministério da Saúde para crianças entre 12 e 15 meses. A cobertura vacinal contra a doença para crianças de 1 ano no Estado é de 95%.

Devem ser vacinadas as crianças de até um ano e adultos de até 49 anos que não tenham sido imunizados. Aqueles que tomaram as duas doses da vacina não precisam tomar nova dose.

O pediatra José Augusto Alves de Britto, do Instituto Fernandes Figueira, destaca que, apesar de o Rio não viver um surto, está em estado de alerta para o sarampo. O médico explica que esta é uma doença altamente transmissível e que pode até levar à morte, especialmente no caso de pessoas com baixa imunidade ou malnutridas. Crianças mais jovens e idosos podem ter a forma mais grave do sarampo.

Segundo Britto, as complicações mais sérias são pneumonia, lesões oculares, encefalite e até cegueira em casos graves. Quem está infectado pode transmitir a doença três dias antes de aparecerem sintomas, como febre e tosse, e até três dias após o surgimento de manchas. A forma principal de transmissão é pelas vias aéreas: espirro, tosse e secreção do nariz.

Na semana passada, o Ministério de Saúde confirmou um surto de sarampo nos Estados do Amazonas e de Roraima, ao norte do País, onde o vírus estava erradicado desde 2016.

Até 20 de junho, 463 casos (200 em Roraima e 263 no Amazonas) foram confirmados e 1.545 estão sendo investigados, segundo informou o ministério em um boletim.

Foram registradas duas mortes em Roraima, Estado limítrofe com a Venezuela e principal receptor do crescente fluxo de migrantes provenientes daquele país. Justamente dois venezuelanos morreram no começo de 2018 por causa da doença.

Estudos de laboratório apontam que a cepa do vírus encontrado no Brasil é a mesma em circulação na Venezuela, país que sofre uma forte crise com elevada escassez de alimentos, produtos básicos e medicamentos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, até 11 de junho dois casos de sarampo foram confirmados entre ianomâmis brasileiros na mesma região fronteiriça e outros 24 casos em indígenas venezuelanos. Ainda há 61 casos em investigação.

A organização de direitos humanos Survival International emitiu um alerta: “Estas comunidades são as mais vulneráveis. Ajuda médica urgente é o único que se interpõe entre eles e a devastação”, disse o diretor, Stephen Corry.

A vacinação do Brasil é permanente, mas o governo intensificou as operações pelos baixos índices recentes de imunização e reaparecimento da doença.

AMAZONAS

Na última quinta-feira, a Secretaria de Saúde de Manaus confirmou a primeira morte por sarampo na capital do Amazonas: a de um bebê de sete meses. De acordo com as informações, o menino, que não havia sido vacinado, apresentou os primeiros sintomas da doença no dia 23 de junho.

O resultado da sorologia foi confirmado pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacem/AM).

Outro caso de morte está sendo investigado em Manaus: o de uma menina de 9 meses, que também não foi vacinada. Ela morreu no fim do mês, mas não foi feita coleta de sangue. A investigação envolve levantamento de informações junto a familiares da menor.

Ainda na semana passada, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, decretou estado de emergência. Uma campanha de imunização foi intensificada na capital amazonense.

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