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Crise afeta atendimento na FAV

Fonte: Folha de Pernambuco

A crise financeira que atinge várias instituições filantrópicas de saúde no Pais pegou em cheio a Fundação Altino Ventura (FAV). Especializada em oftalmologia e reabilitações múltiplas, a entidade vem diminuindo o número de atendimentos, que incluem consultas, exames e até cirurgias. Na ponta, os pacientes vêm sofrendo com a desassistência. Um dos problemas mais criticos é o do acompanhamento dos homens, mulheres e crianças que sofrem de glaucoma, doença que provoca aumento da pressão ocular. Dezenas deles estão sem receber os colírios que controlam a enfermidade. Sem os remédios muitos deles correm o risco de perder a visão.

“Faz 20 dias que eu estou sem o medicamento. Mandaram vir pegar na quinta passada, mas quando cheguei nem tinha o remédio, nem a consulta. Preciso diariamente senão fico cega. Três meses atrás já recebi a pulso porque eram os últimos frascos. 0 remédio é mais de R$ 180. Um assalariado vai ter condição de pagar 0 colirio, aluguel, água, luz e comer? Como é que a gente fica?”, questionou a idosa Ivandete Matias de Melo, 65 anos, que sofre de glaucoma. “Já sou cego de um olho e no outro tenho glaucoma. 0 remédio que eu vinha recebendo faltou desde 0 mês passado. Preciso usar diariamente, mas não tenho”, reforçou 0 aposentado Luiz Firmino do Nascimento, 70, sobre 0 drama sofrido entre aqueles que precisam dos colirios.

Outros pacientes também narraram dificuldade para marcar consultas na FAV nos últimos meses. “Estou com exame para fazer desde o mês de maio. Desde abril que eu telefono para cá e a dificuldade é muito grande. Outras pessoas que eu conversei aqui também falaram da mesma dificuldade. Já passei uma hora e dez minutos no telefone. É uma tortura”, lamentou 0 eletricista Ednaldo Rodrigues de Lima, 79- Já 0 estudante Rogério Lins de Andrade, 45, denunciou que está com um grave problema visual, mas que só conseguiu uma cirurgia para 0 ano que vem. “Agendaram para 22 de fevereiro de 2019. Preciso de uma cirurgia para 0 deslocamento de retina e do agravamento do glaucoma. Estou praticamente cego do

olho. Tudo escuro. 0 lado direito eu só vejo vultos. Preciso antecipar essa data”, disse.

Em nota, a FAV informou que mantém, desde 2012,0 Programa de Glaucoma, cujos atendimentos são trimestrais e beneficiam 4,5 mil pacientes. Mensalmente, são realizados 1,2 mil consultas e seis mil exames, serviços que continuam sendo prestados sem interrupção. A FAV disse ainda que era responsável pela distribuição dos medicamentos deste programa (9,6 mil colirios por mês). Porém, a partir de julho do corrente ano, por insuficiência de verba, os colirios deixaram de ser distribuídos aos pacientes. Quanto às queixas dos pacientes com relação ao cancelamento de cirurgias e dificuldade no agendamento de exames e consultas, a fundação informou que não tem recursos suficientes para atender à demanda da população que utiliza os seus serviços por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que a Farmácia de Pernambuco fornece, atualmente, nove tipos de colirio para pacientes com glaucoma atendidos e inscritos no programa estadual Desses, apenas um está em processo de compra pela SES. 0 restante tem estoque nas unidades. Sobre os pacientes cadastrados na FAV, a farmácia esclarece que os colirios são dispensados pela própria instituição, que é referência para 0 atendimento oftalmológico no Estado em média e alta complexidade.

A SES informou, ainda, que está em diálogo constante com a FAV e continua realizando os repasses à fundação. A Farmácia de Pernambuco esclarece, ainda, que neste mês de agosto, 0 Ministério da Saúde informou que alguns itens serão adquiridos exclusivamente pelo órgão federal, com aquisição centralizada. Dessa forma, 0 Estado já solicitou listagem de pacientes atendidos pela FAV que fazem uso destas medicações especificas para verificação do consumo médio mensal e posterior cadastro nas unidades da Farmácia de Pernambuco.

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