BRASIL | Fonte: Jornal do Commercio

Câncer avança no Brasil

GENEBRA – O câncer avança e 18,1 milhões de novos casos serão registrados em 2018 no mundo, com um total de 9,6 milhões de mortes. Os dados foram publicados ontem pela Agência para a Pesquisa do Câncer, entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o levantamento, o Brasil somará em 559 mil novos casos de câncer, com 243 mil mortes, em 2018. Mas as projeções da entidade apontam que a doença pode sofrer um aumento de 78,5% até o ano de 2040, um dos maiores saltos entre as principais economias.

“Não é uma boa notícia”, resumiu um dos cientistas da agência, Jacques Ferlay. Para ele, os efeitos do tabaco, obesidade e falta de atividade física podem explicar, em parte, o salto. Hoje, o câncer mais frequente no Brasil é o de mama, com 85,6 mil casos, 15,3% do total. O segundo lugar é o de próstata, com 84,9 mil. Mas essa é a doença que mais mata entre os incidentes de câncer, com 30% dos casos. 

O levantamento alerta que, se nada for feito, as incidências vão atingir 29,4 milhões de novos casos em 2040 no mundo, uma expansão de 63% nos próximos 20 anos. A mortalidade deve subir de 9,6 milhões de pessoas hoje para 16,3 milhões em 2040. Essa é a primeira vez desde 2012 que novos números são publicados. Há cinco anos, eram 14,1 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes. O que as entidades alertam ainda é que serão os países emergentes que mais registrarão o aumento de casos, com um salto de 62% até 2040 e um total de 10 milhões de novos casos. No Brasil, os dados apontam para 998 mil novos casos a serem registrados neste período.

Hoje, de acordo com o levantamento, um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres desenvolverão o câncer durante suas vidas. A taxa de mortalidade é elevada. Um em cada oito homens e uma em cada onze mulheres morrerão pela doença. 

No total, 43,8 milhões de pessoas no mundo estão vivendo os cinco anos de prevalência do câncer e 1,3 milhão delas estão no Brasil. Há cinco anos, eram 32 milhões de pessoas nessa situação Se parte da explicação é a capacidade de um número maior de pessoas de sobreviver à doença, ela não é o único motivo. 

De acordo com a pesquisa, o envelhecimento da população e mudanças de estilo de vida ligado ao desenvolvimento social são dois dos fatores que estão contribuindo para os números cada vez mais elevados. “Isso é o caso também de economias emergentes que estão crescendo rapidamente e onde uma mudança é observada associada com o estilo de vida mais parecido a países industrializados”, indicou. 

Alimentação, bebida, falta de atividades físicas e envelhecimento seriam alguns dos principais fatores. Mas a agência diz não ter ainda dados que sustentem a teoria de que a introdução massiva de novas tecnologias e telefones celulares possam ter um impacto no número. 

Ainda assim, as regiões mais desenvolvidas do mundo são responsáveis por um volume desproporcional de incidentes da doença. A Europa, com apenas 9% da população mundial, conta com 23% dos incidentes de câncer no mundo. A Ásia, com 60% da população mundial, registra 48% dos casos de câncer no mundo.

RECIFE 

O Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer lançou ontem a quarta edição do “Fique Atento: Pode ser Câncer!”, campanha nacional que alerta sobre os sinais e sintomas sugestivos do câncer infanto-juvenil, além de promover capacitação de profissionais de saúde. De 2015 até maio de 2018, 315 novos casos de câncer foram diagnosticados entre crianças e jovens de 0 a 19 anos. Destes, 36 foram de retinoblastoma, a maioria (23), oriundos da Região Metropolitana do Recife.

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