COTIDIANO | Fonte: Jornal do Commercio

Residentes paralisam atividades

Fonte: Jornal do Commercio

Os médicos residentes do Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Recife, decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado para cobrar do governo estadual melhorias para a unidade da saúde. Segundo os médicos em formação de especialização, em média 130 cirurgias estão deixando de ser realizadas no hospital por mês devido a deficiências de insumos, equipamentos e recursos humanos. A decisão por cruzar os braços aconteceu na manhã de ontem depois de uma votação da categoria. Hoje, 0 grupo planeja um protesto às 7h. Uma nova assembléia dos médicos está marcada para a próxima sexta-feira, às uh, para avaliar se os profissionais retomam ou não as atividades.

“Isso é crônico no hospital, mas no último mês piorou muito”, comentou um dos médicos, que preferiu não ser identificado por medo de represálias, sobre os déficits de insumo que incidem diretamente na quantidade de cirurgias que 0 HGV consegue fazer. De acordo com dados apresentados pelos residentes, 0 número de operações suspensas teria aumentado mais de 40% entre julho e agosto. Planilhas do hospital apontam que em julho foram realizadas 866 cirurgias entre as eletivas e as de urgência e que 143 foram desmarcadas. Já em agosto teriam sido 995 procedimentos realizados e 205 suspensos. “Apenas na especialidade de urologia deixam de ser realizadas cerca de 30 cirurgias por mês, sem falar de outras especialidades como a vascular que tem muita demanda”, 0 mesmo profissional.

Cada especialidade do hospital (cirurgia geral, ortopedia, urologia, anestesiologia, cirurgia vascular e neurocirurgia) tem demandas especificas, mas, de fôrma ge-

ral, a categoria entregou na última sexta-feiia uma pauta coletiva das reinvindicações do HGV. O documento reivindicava que em 72 horas 0 centro de materiais e esterilização (CME) e suas autoclaves estivessem em funcionamento pelo para a realização das operações marcadas diariamente. O mesmo prazo também era exigido para a regularidade de antibióticos, fios de sutura, luvas, escovas de assepsia, filmes para impressão de tomo-grafia e radiografia, contraste iodado, meios de cultura, sonda na-soenteral, bolsa de colostomia, termômetro, entre outros insumos, incluindo vestimentas para bloco cirúrgico. O grupo ainda pede a abertura das 14 salas do bloco cirúrgico em até 14 dias dentro do padrão preconizado e que em sete dias se-j amfeitos manutenções e consertos em elevadores, ar-condicionado dos setores e até nos monitore e desfibriladores. Isso sem falar de liberação de mais verbas para 0 hospital já que a unidade é uma referência para 0 ensino. “Nossa preocupação imediata é com a assistência aos pacientes, mas também prezamos pelo aprendizado da gente também”, lamentou outra médica. Hoje os residentes respondem por aproximadamente 1/3 dos atendimentos realizados no HGV.

Os pacientes corroboraram a situação crítica que vive a unidade. A aposentada Lídia Gomes, 65 anos,

caiu em casa na sexta-feira passada e quebrou fêmur. Foi trazida ao HGV pelo filho, Geraldo Gomes, 36. Até agora não fez cirurgia. “De acordo com 0 hospital, eles estão esperando vaga para fazer a cirurgia. Eu nunca vi minha mãe desse jeito, delirando e tudo”, afirmou 0 filho. Uma mulher que está acompanhando um amigo de 34 anos que está com um problema no fígado afirmou que ele precisa de uma cirurgia urgente, mas até agora nada. “O hospital fala que não fizeram a cirurgia porque está sem material” A direção do HGV informou que as cirurgias de emergência estavam ocorrendo normalmente durante todo 0 fim de semana. Entre a última sexta-feira e 0 domingo, foram realizados 75 procedimentos na unidade. Ressaltou ainda que as cirurgias eletivas não ocorrem nos fins de semana. A direção esclarece que esta abastecida dos insumos necessários para as cirurgias e que as faltas são pontuais. O HGV explicou que 0 curto-circuito no ar condicionado do centro de material e esterilização, no dia 08, foi necessário suspender algumas cirurgias enquanto toda a área era higienizada, evitando, assim, qualquer risco para os pacientes. Enquanto isso, os casos de urgência estavam sendo referenciados para outras unidades da rede.

Sobre a paralisação dos residentes, a direção do HGV vem dialogando com os representantes da categoria para resolver a situação e, com isso, não prejudicar a assistência aos usuários. Vale frisar que os procedimentos cirúrgicos são realizados pelos médicos preceptores e por residentes. Ontem, mesmo com a paralisação dos residentes, os preceptores estão realizando as cirurgias, dentro da capacidade da equipe. Até às 12h desta segunda, foram nove procedimentos. Por fim, a gestão do hospital, nos próximos dias, disse será entregue a nova emergência da unidade, com 100 leitos.

Tags :
Gostou ? Então deixe um comentário abaixo.

Clippings