CIDADES | Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

De casa em casa contra o câncer

OUTUBRO ROSA Este mês, agentes de saúde têm missão ainda mais especial: identificar mulheres que precisam de cuidados para evitar doença

Abraçada a uma prancheta, a agente comunitária de saúde Valquíria Azevedo percorre diariamente ruas do Coque, comunidade da Ilha Joana Bezerra, área central do Recife, com uma missão especial neste Outubro Rosa, movimento de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama – o tipo de neoplasia que mais acomete as brasileiras (depois do tumor de pele não melanoma), com a expectativa de 59.700 novos casos por ano. Este mês, além de visitar residências do Coque com o papel de vigilante da saúde dos moradores, Valquíria sensibilizou o olhar para identificar mulheres que demandam cuidados especiais, principalmente em relação a condições e comportamentos que podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer de mama. Ela é uma entre os 900 agentes de saúde do Recife treinada para intensificar a busca ativa de mulheres que não devem deixar em segundo plano a realização de exames capazes de detectar o tumor precocemente, o que aumenta as chances de cura da doença.

“Aproveitamos este mês para reforçar o trabalho de rotina dos agentes com a busca ativa de mulheres que precisam fazer o rastreamento”, frisa a coordenadora da Saúde da Mulher do Recife, Karla Viana, ao falar sobre o fortalecimento do trabalho de monitoramento de pacientes que, mesmo aparentemente saudáveis, devem realizar exames (como a mamografia), capazes de identificar lesões sugestivas de câncer e, dessa maneira, encaminhar as mulheres com resultados alterados para investigação diagnóstica mais precisa e tratamento.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a mamografia de rotina é recomendada entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. O objetivo da busca ativa, na capital pernambucana, é não deixar escapar nenhuma das mulheres dessa faixa etária atendida pela rede pública. Isso significa que, caso não compareçam aos serviços no tempo oportuno, os agentes de saúde não ficam de braços cruzados. Eles batem à porta, lembram a necessidade dos testes periódicos e das consultas para que as pacientes cheguem até as Unidades de Saúde da Família.

É assim que a assistência à saúde chega para a dona de casa Iracema Ferreira de Carvalho, 58. “Não sou de anotar os dias das consultas e dos exames, mas Valquíria sempre faz visitas à minha casa para eu não me esquecer de me cuidar. Já fiz a mamografia este mês porque ela lembrou que o caminhão móvel estaria no posto. Vou receber o resultado e, em seguida, farei o restante dos exames”, conta Iracema, que abriu as portas de casa para a agente de saúde na terça-feira (9), quando teve atualizado o Cartão da Mulher com as datas das próximas consultas e idas ao posto de saúde.

Assim como Iracema, a dona de casa Rilzete Melo da Silva, 60, recebeu a visita da agente comunitária. A mamografia está em dia, mas ela já foi informada que janeiro é o mês para fazer a próxima. Na ocasião, Valquíria aproveitou para lembrar que Rilzete deve participar do grupo Grupo HiperDia, voltado ao acompanhamento de pacientes com diabetes e hipertensão. “Tenho pressão alta, estou com (altas taxas de) glicose, colesterol e ácido úrico. Preciso me cuidar, pois já faço tratamento para osteoporose, artrite e artrose. Mas já fiz o preventivo (exame ginecológico) e a mamografia este ano. Para achar o câncer, não adianta fazer só o toque nas mamas.”

Para Valquíria, a busca ativa é essencial para estabelecer vínculo dos moradores com as unidades de saúde. “E as mulheres precisam estar bem porque, se assim não for, elas não conseguem cuidar da família nem dos compromissos”, frisa a agente comunitária de saúde, cujo trabalho é valioso para fortalecer a rede de proteção.

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