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Acredite: a hanseníase ainda é pouco conhecida

Fonte: A CRITICA

0 Dia Mundial do Hanseniano, comemorado hoje, é mais uma data que serve para chamar atenção da sociedade para o cuidado e diagnóstico precoce da doença infecto-contagiosa considerada a mais antiga da humanidade. Apesar disso, Hanseníase ainda é desconhecida por grande parte da população e tratada com preconceito por quem pouco conhece sobre a enfermidade que, hoje, pode ser diagnosticada e tratada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A doença é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium Lepraee, por causa de prédisposição genética do paciente, há duas formas: a Paucibacilar e a Multibacilar. “Na forma Paucibacilar, as pessoas não são capazes de transmitir a bactéria para outra pessoa. Por outro lado, há pessoas que, de acordo com a sua pré-disposição genética, elas vão fazer a forma Multibacilar da doença, ou seja, elas são capazes de transmitir a doença”, explicou a médica dermatologista Dra. Carolina Talhari.

Conforme a especialista, a bactéria fica alojada nas vias aérea superiores, predominantemente, onde acontece a transmissão. “Ela é uma bactéria que causa lesões na pele, mas também tem certa predileção pelos nervos”, acrescenta.

Quanto aos sinais, podem aparecer manchas ou não. “Geralmente elas são mais claras que a pele da pessoa e, com o passar do tempo, essas manchas podem começar a ficar avermelhadas e ter relevo e a pessoa pode não sentir aquela lesão”.

DIAGNÓSTICO

De acordo com a médica, durante o exame, os médicos a “palpação dos nervos periféricos”. “Apalpamos vários filetes nervosos desse paciente, vários nervos para saber se estão dolorosos. Fazemos a baciloscopiaque é um exame que a gente tira a linfá dos pavilhões auriculares, dos cotovelos e de algumas lesões desse paciente”.

0 material vai para uma coloração especial onde o dermatologista verificará se há, de fato, a bactéria. Conforme a médica, o procedimento ajuda na classificação do Paucibacelar e do Multibacelar. “0 Paucibacelar, ele vai ter papiloscopia negativa e mesmo assim ele está doente, isso significa que ele não é capaz de transmitir a doença. Já o Multibacelar, ele vai ter a papiloscopia positiva”, disse.

TRATAMENTO

Caso o paciente seja Paucibasce-lar, ele deverá passar por um tratamento que inclui duas drogas: a Rifámpicina e a Dapsona. Para este tratamento, o período será feito durante seis meses.

Já para o paciente Multibacelar, o tratamento é diferente. Além da Rifámpcina e Dapsona, ele vai tomar uma terceira droga chamada Clofazimina. Neste o tratamento será feito durante 12 meses.

Uma vez que se inicia o tratamento, a pessoa não consegue mais transmitir, mas o bacilo continua lá. “Por isso, a gente explica para o doente que ele faça o tratamento de forma adequada durante o tempo adequado”, explica a Dra. Carolina Talhari.

Durante o período de tratamento, o paciente retorna mensalmente ao hospital para receber atendimento médico e acompanhamento.

INFORMAÇÃO

Para o coordenador estadual do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), Pedro Borges da Silva, a falta de informação sobre a doença entre a população ainda é uma das principais dificuldades para o controle da hanseníase. “O nosso objetivo é alertar a população para que procure uma Unidade de Saúde em caso de sintomas suspeitos. Uma mancha na pele pode ser ou não hanseníase, mas é importante que a pessoa faça o exame. Quando o diagnóstico é feito precocemente, a pessoa pode iniciar o tratamento e não irá sofrer as sequelas da hanseníase”, destacou.

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