OPINIÕES | Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Sinal vermelho da dengue

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O clínico-geral Carlos Brito, professor da UFPE, avisa que a dengue é candidata a uma próxima epidemia no Estado porque estamos há muito tempo sem uma explosão de casos, tornando “uma fatia expressiva da população susceptível à infecção, principalmente crianças”. Esse diagnóstico acende o sinal vermelho e chama atenção para o perigo a que estamos sujeitos, mesmo com a divulgação que acaba de ser feita pela revista científica Science dando conta de que quanto mais uma pessoa é exposta ao vírus da dengue menor o risco de infecção por zika, vírus associado à microcefalia.

Esse mal maior não exclui o mal anterior, a dengue, que duplicou em apenas uma semana em Pernambuco, levando a Secretaria Estadual de Saúde a se mobilizar para barrar o surto que se espalha pelo Sertão. Somente na Regional de Salgueiro – sete municípios –, foram notificados 81 casos neste ano, quando no mesmo período do ano passado foram seis. É um sinal definitivo que exige um mutirão: da população que deve ser alertada e contribuir para combater o risco, adotando medidas já amplamente divulgadas, como extinguir focos do mosquito transmissor; e do poder público, de quem se espera que, além do monitoramento de surtos ou da ameaça deles, mantenha a persistência no trabalho de imunização.

Sobretudo Pernambuco deve se voltar inteiramente para o enfrentamento desse inimigo, seja pela atenção ao diagnóstico do dr. Carlos Brito seja pelo aviso de quem está mais próxima e ligada ao problema por dever de ofício, a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde, Claudenice Pontes.

Ela adverte que a curva de incidência da dengue está ascendente e que o panorama se torna mais crítico por causa das chuvas de verão. E também dá seu recado: “É importante a população ter cuidados para evitar depósitos com a presença de larvas. Além disso, é preciso olhar se quintais, jardins e terrenos possuem criadouros”.

Não se pode dizer, assim, que faltam avisos para a população evitar epidemias. Mesmo admitindo como significativas as informações de que múltiplas infecções naturais por dengue levam a menor chance de infecção por zika, deve prevalecer a atenção para a fonte de todos os males, o Aedes aegypti, lembrando sempre que

Pernambuco tem um papel inaceitável nessa recorrência de um mal que parecia eliminado dos registros médicos e, por isso mesmo, deve redobrar os cuidados para que as sequelas provocadas pelas arboviroses voltem um dia a ser apenas alguns parágrafos nos anais da medicina.

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