BRASIL | Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Aval para eletrochoque será revisto

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

O documento preparado pelo governo que dá sinal verde para a compra no SUS de aparelhos de eletroconvulsoterapia (conhecido como eletrochoque) será revisto. Em meio às críticas, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o texto preparado pela equipe está em discussão e poderá ter alguns tópicos alterados.

Com 32 páginas, a nota com esclarecimentos sobre as mudanças na Política Nacional de Saúde Mental e na Política Nacional sobre Drogas, provocou reação de associações do setor. Além do aval para a compra dos aparelhos de eletrochoque, a nota enfatiza o papel das comunidades terapêuticas e prega a abstinência para dependentes de drogas. Hoje, a estratégia considerada mais relevante é a de redução de danos.

A nota também reforça a possibilidade da internação de crianças em hospitais psiquiátricos. Diante da notícia, a Associação Brasileira de Saúde Mental e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva avisaram que preparariam manifestos contra o documento do governo, considerado um retrocesso sem precedentes na política de saúde mental do País. “O texto publicado não é uma nota técnica, mas um documento político que agrada hospitais, setores que lucram com manicômios e com a medicalização”, afirmou Paulo Amarante, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e integrante da Associação Brasileira de Saúde Mental.

Para críticos, a política preconizada na nota do ministério coloca em primeiro plano intervenções autoritárias. Na sexta, Mandetta procurou um tom conciliador. Disse que o uso de eletrochoque faz parte do arsenal terapêutico e que sua adoção, quando feita de forma humanizada e respeitando indicações técnicas, não pode ser descartado. O ministro citou a importância do processo de desospitalização no país na área de saúde mental. Com a mudança, foram fechados vários hospitais de saúde mental que eram na época chamados de “depósitos”, de pacientes, com torturas e maus-tratos. O ministro disse que a pasta está preocupada com a falha na assistência, sobretudo a dependentes químicos.

Mandetta afirmou ter dúvidas sobre as comunidades terapêuticas, como os métodos como uso da religião. “Precisamos debater. O governo não é dono da verdade. Não é ditadura da saúde.”

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