CIÊNCIA E SAÚDE | Fonte: Correio Braziliense

Sono segue comprometido seis anos depois do parto, dizem cientistas

Fonte: Correio Braziliense

Prega o senso comum que a chegada de um bebê marca o fim das noites de sono tranquilas para os adultos. Cientistas da Universidade de Warwick, no Reino Unido, não só demonstraram a relação como a quantificaram. Após acompanhar 4.659 voluntários, eles concluíram que mães e pais de primeira viagem não conseguem recuperar a duração e a satisfação do sono passados seis anos do nascimento dos filhos.

A carga detectada foi mais pesada para elas —  três vezes maior — e nos três primeiros meses de vida do recém-nascido. Nesse período, as mães dormiram uma hora a menos do que estavam acostumadas. Os pais, 15 minutos. Os autores acreditam que a maior agitação e o choro recorrente do bebê, a dependência de alimentação noturna frequente e de outros cuidados, além da recuperação física e mental do parto, causem esse maior impacto inicial nas mulheres.

A disparidade, porém, se manteve ao longo dos seis anos, com melhorias gradativas na rotina das mães — seis meses depois do parto, por exemplo, elas haviam ganhado mais meia hora de descanso. Ao fim do estudo, as participantes dormiam em média 20 minutos a menos do que antes da gravidez. Os pais continuavam sendo privados de 15 minutos. “As mulheres tendem a experimentar mais distúrbios do sono do que os homens após o nascimento de um filho, o que reflete que as mães ainda assumem mais frequentemente o papel de cuidador principal”, ressaltou Sakari Lemola, professor do Departamento de Psicologia da universidade britânica e principal autor do estudo, divulgado na última edição da revista Sleep.

Dupla jornada

A duração e a satisfação do sono foram medidas por meio de entrevistas presenciais, realizadas anualmente. Nos encontros, os voluntários, moradores da Alemanha, foram convidados a avaliar a qualidade do sono, usando uma escala de 0 a 10.  Participaram da pequisa 2.541 mulheres e 2.118 homens, que relataram o nascimento do primeiro, segundo ou terceiro filho entre 2008 e 2015.  Segundo os autores, o impacto foi maior entre os pais de primeira viagem. No primeiro ano de vida do filho, os efeitos do sono também foram um pouco mais fortes nas mães que amamentavam, quando comparadas às que alimentavam os bebês de outra forma.

Durante a análise, a equipe concluiu que fatores como renda familiar e tipo de parentalidade (dupla ou mono) não parecem ter protegido contra as mudanças no sono. Diferentemente, o gênero exerceu influência-chave na questão, destacou, em entrevista ao The Independent, Sakari Lemola. “Em nossa sociedade, ainda é mais frequente a mãe que se levanta quando as crianças choram. Certamente, também há casais em que acontece o contrário, mas eles são claramente uma minoria.”

No artigo divulgado na revista Sleep, a equipe chamou a atenção para a influência da dupla jornada vivida pela maioria das mulheres. “É possível que uma distribuição desigual da carga dos cuidados com as crianças, que leva os homens a serem favorecidos à noite, seja refletida em um declínio menos pronunciado na satisfação do sono e na duração do sono nos pais do que nas mães.”

A importância de adotar medidas que promovam o bem-estar de homens e mulheres também foi lembrada pelos pesquisadores. “Aconselhamento e apoio devem ser rotineiramente fornecidos para novos pais que se preparam para o parto, a fim de gerenciar suas expectativas de sono pós-parto e incentivá-los a tomar precauções que possam reduzir os riscos dos efeitos da fragmentação do sono e da privação”, escreveram.

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