CasaSaudável | Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Transplantes: a renovação da vida

Voltar à vida. Levantar. Erguer-se.

Se fecharmos os olhos para concentrar o pensamento na sensação que as três frases acima trazem, certamente vamos projetar o que celebrarmos neste Domingo de Páscoa: a ressurreição. Essa vida nova, acompanhada do restabelecimento da saúde, é bem definida pelas pessoas que passam por transplante de órgão ou tecido e reconhecem como a dor da morte (vivenciada por uma família que perdeu um ente querido) pode se transformar em solidariedade e levar esperança para um recomeço. Quando alguém diz sim à doação de órgãos, geralmente se inunda de emoção por saber que o consentimento possibilitou a transformação do sofrimento da morte no renascimento de outras vidas. O exemplo do transplante é uma das diversas formas de manifestarmos altruísmo e empatia – duas palavras vivenciadas de forma intensa na Páscoa.

“Para quem trabalha nessa área, a sensação que bate é de dever cumprido por ter possibilitado às pessoas uma segunda chance. Outro detalhe é que a doação de órgãos pode trazer ressignificação à perda de um parente porque a família compreende que alguém recebeu parte do ente querido que faleceu”, declara a coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco, enfermeira Noemy Gomes. O depoimento dela está em harmonia com o significado da festa pascal, tão ligada à renovação e recomeço.

Com o diagnóstico de morte encefálica, um só paciente pode se tornar doador de órgãos e tecidos para beneficiar até sete pessoas que sonham em celebrar vida nova depois do transplante. É uma forma de exercer a generosidade após a morte. Para a família enlutada que autoriza a doação, é experimentada a prática de fazer o bem sem olhar a quem.

“Só sei que meu doador foi um homem, com uns 18 anos. Rezo sempre em intenção a ele e também pela família que autorizou a doação. Também sou grata a todos os profissionais que trabalham nesse setor. Eles são especiais”, conta a estudante de gestão de recursos humanos, Jullyana Ramos, 38 anos, que precisou passar, em agosto de 2017, por um transplante de fígado – a alternativa para afastar complicações de uma doença autoimune que compromete o órgão. “Tinha um cansaço intenso. Depois de seis meses na fila de espera, apareceu um fígado compatível. Na época, o meu filho, Daniel, tinha 5 anos; a minha filha, Luiza, 11 meses. E o meu marido, Flávio Marques, me deu muito apoio. Após o transplante, chegou uma vida completamente nova para mim. Sou uma pessoa melhor, valorizo as pequenas coisas e vejo o quão importante é ter saúde para fazer as atividades mais simples do dia a dia.”

O transplante de fígado é o que mais tem se destacado este ano no Estado. Um balanço parcial revela que, dos 93 procedimentos de órgãos sólidos, 27 foram de fígado – um aumento de 70% em comparação com o mesmo período de 2018. “Com o transplante de fígado, devolvemos bem-estar aos pacientes, que voltam a ser produtivos e retomam as rédeas da vida”, diz o médico César Lyra, coordenador de Transplante Hepático do Real Hospital Português. Desde dezembro de 2015, 80 pacientes já receberam um novo fígado na instituição. “Isso só tem sido possível graças ao apoio da Central de Transplantes e ao gesto de desprendimento das famílias que autorizam a doação para ajudar o próximo”, acrescenta César Lyra, sem deixar dúvidas sobre o trabalho que abre portas para um renascimento permeado de felicidade e esperança.

Convite à reflexão sobre fé, espiritualidade e saúde

A Páscoa que hoje celebramos nos conduz à origem do seu significado mais puro: passagem. É tempo de despertar a fé em novos caminhos, numa sociedade ressuscitada para a paz. A festa da ressurreição traz um convite para mudanças em cada um de nós. Ao aceitarmos essa convocação, independentemente de religião e de a crença envolver alguma divindade, nasce um sentimento de renovação que fortalece a nossa caminhada. Vem, então, a fé – aquela que nos dá confiança de que é possível encontrar um sentido na vida, o que nos ajuda a viver melhor, com mais atitudes positivas. Dessa maneira, este Domingo de Páscoa leva à compreensão de que o binômio fé e espiritualidade (conjunto de crenças que traz vitalidade e significado aos eventos da vida, como uma doença) é um pilar que nos sustenta, inclusive para enfrentar os males e o sofrimento. O padre salesiano Sérgio Lúcio reforça que os cristãos creem que Deus cuida deles e mantém o controle da vida, respeitando a liberdade de cada um. “Deus sugere caminhos de vida em abundância, porque é isso que Jesus veio trazer. Outro aspecto é que o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Esse hábitat tem que ser cuidado”, diz padre Sérgio. A medicina reconhece que pessoas que alimentam uma crença podem enfrentar problemas com menos estresse, o que é capaz de repercutir no controle de conflitos físicos ou emocionais. Além disso, a fé e a espiritualidade geram altruísmo, além de darem propósito para a vida e o sofrimento. Tudo isso nos leva a compreender melhor o semelhante e desperta a crença de que não estamos sozinhos. Feliz Páscoa!

Vacina para 100% do público-alvo

A partir amanhã, todos os grupos prioritários da campanha contra gripe já podem ir aos postos de saúde se imunizar. Em Pernambuco, pelo menos, 90% dos 2,5 milhões de pessoas que fazem parte do público-alvo devem ser vacinadas. Entre elas, estão mais de 402 mil pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições de saúde. São pessoas que passaram por transplante de órgãos, aquelas com obesidade severa, trissomias como a síndrome de Down, diabetes, doenças respiratórias, cardíacas, renais e hepáticas crônicas. Nesses casos, o Programa Estadual de Imunização lembra que é preciso apresentar prescrição médica que informe o motivo da indicação da vacina. A campanha vai até 31 de maio.

Sobre tonturas

No próximo dia 25, em alusão à Semana da Tontura, o Parque 13 de Maio, em Santo Amaro, área central do Recife, recebe especialistas que vão dar orientações sobre as tonturas e doenças de labirinto, que podem ocorrer por vários fatores. Os profissionais de saúde também oferecerão atendimentos gratuitos à população. “Ao sentir tonturas, as pessoas já creditam esse sintoma a uma labirintite, mas isso precisa ser desmistificado. Afinal, existem diferentes doenças de labirinto”, diz a otorrinolaringologista Lívia Noleto, especialista em zumbido e otoneurologia. O evento gratuito, das 7h às 11h, é promovido pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. “Quem for diagnosticado com alguma doença de labirinto será encaminhado para um serviço público de saúde”, garante Lívia.

“Quem passa pelo transplante de órgão ou tecido tem a chance de reescrever uma nova história. São pessoas que nascem novamente”, diz a coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco, Noemy Gomes

“O transplante é acompanhado do renascimento porque o paciente volta a ter qualidade de vida e diminui a dependência de outras pessoas”, destaca o cirurgião hepatobiliar Cesar Lyra

“É preciso que, mesmo as pessoas que não creem, ao olhar o modo como atuamos na sociedade, possam perceber que, como diz a carta de João,

‘passamos da morte para a vida porque amamos efetivamente os nossos irmãos’. É isso que desejo e peço para cada um de vocês”, declara o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, em sua mensagem de Páscoa.

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