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Obesidade, a “porta de entrada” para outras doenças

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Não são apenas problemas de cunho estéticos que, inevitavelmente, acabam impactando na vida social e na qualidade de vida do obeso. Pessoas que estão muitos quilos acima do peso ideal são fortes candidatas a terem aumento da pressão arterial, dos níveis de colesterol, dos triglicerídios sanguíneos e resistência à insulina. Ou seja, a doença causa tantos danos ao organismo que acaba sendo “porta de entrada” para outras enfermidades. Além das patologias crônicas, como hipertensão arterial e diabetes, estudos apontam que a obesidade também é fator de risco a alguns casos de câncer.

Nos homens obesos, a prevalência são os casos de câncer de pâncreas, colorretal, esôfago e rim. Entre as mulheres, acrescentando-se ainda os de mama e útero. Os dados são da pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), em parceria com o Fundo Mundial para Pesquisa contra o Câncer (WCRF, na sigla em inglês). O documento evidenciou ainda que muitos casos da doença no País poderiam ser evitados se os indicadores de obesidade fossem menores.

Dados divulgados pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), com base em levantamentos feitos pelo governo federal e por órgãos oficiais, demonstram cenário preocupante. No Brasil, 50% da população está na faixa de sobrepeso e obesidade. Realidade que se estende a 15% das crianças.

Tomando como base o crescimento da obesidade em todos os países do mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu fazer uma projeção com o número de casos até 2025. A conclusão é que, daqui a seis anos, haverá 700 milhões de adultos obesos e 75 milhões de crianças no globo terrestre.

Além de fatores biológicos, históricos e econômicos, a obesidade é causada principalmente pelo estilo de vida moderno. Alimentos naturais e nutritivos estão sendo preteridos por itens industrializados, pobres em nutrientes e ricos em açúcares. O sedentarismo também vem desempenhando papel decisivo para ampliar a obesidade pelo mundo. De acordo com a OMS, um em cada quatro adultos não faz nenhum tipo de exercício físico.

Nesse cenário, a doença vem se manifestando de maneira cada vez mais recorrente no público infantil. No Sudeste do País, por exemplo, o percentual de menores de 5 a 9 anos com excesso de peso já se aproxima dos 40%. No Nordeste, equivale a quase 30% das crianças com essa faixa etária. Os dados são da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO).

“Infelizmente, como o número de crianças portadoras de sobrepeso e obesidade tem crescido de forma expressiva no Brasil, assim como no restante do mundo, a vinda desses pacientes aos consultórios de endocrinologistas tem sido cada vez mais frequente. E diversos são os riscos que acompanham a obesidade infantil. Crianças obesas são mais propensas a apresentarem, ao longo da vida, apneia do sono, problemas nas articulações, desenvolver diabetes tipo 2, colesterol alto, problemas no fígado, doenças cardíacas, dentre outras”, alertou o endocrinologista Ruy Lyra.

Para o especialista, é menos complicado reverter quadros de obesidade em crianças que em adultos, apesar de todas as dificuldades que envolvem o tratamento. “Claro está que, para isso, existe a real necessidade de envolvimento dos pais para facilitar esse processo. A minha recomendação passaria pelo engajamento da família toda, sobretudo os pais, na modificação de hábitos alimentares de todos. O bom exemplo é extremamente importante para a mudança dos hábitos de vida”, apontou.

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