CIDADES | Fonte: Jornal do Commercio

Rede estadual em alerta para notificar casos

Fonte: Jornal do Commercio

Com a ampliação da lista de doenças neurológicas graves que podem ter como gatilho a infecção por zika, chicungunha e dengue, Pernambuco se organiza para implantar a notificação universal das complicações neuroinvasivas associadas a arboviroses. Entre elas, estão encefalite, síndrome de Guillain-Barré, acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica e crises convulsivas. A universalização dos registros exige que todos os casos sintomáticos, atendidos em qualquer serviço de saúde do Estado, devem ser notificados a partir da suspeita clínica.

Atualmente os registros são obrigatórios, em Pernambuco, em três unidades sentinelas (funcionam como um termômetro para alertar sobre a necessidade de investigar e adotar medidas de controle das doenças): hospitais da Restauração e Correia Picanço (no Derby, área central do Recife, e na Tamarineira, Zona Norte da cidade), além do Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste do Estado. “No início (maio de 2016), a ideia de instituir essas unidades sentinelas teve como objetivo apenas monitorar a possível ocorrência de quadros neurológicos. Diante da atual realidade, pensamos em partir para uma notificação universal e precisamos estruturá-la para deixar o processo mais amplo”, diz a gerente do Programa Estadual de Controle das Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Claudenice Pontes.

A organização da notificação e investigação estendidas dos casos suspeitos, segundo a gestora, requer não apenas a estruturação dos serviços de saúde, mas também demanda um planejamento para realização de exames laboratoriais, diagnóstico e tratamento adequados. “Os dados preocupam, e queremos ampliar essa vigilância. Tudo isso começa a ser pensado”, destaca Claudenice, que reconhece também a necessidade de governo e sociedade intensificarem o controle do Aedes aegypti. “Não dá para banalizarmos as arboviroses, pois já sabemos que elas podem levar a sequelas. O que vemos agora, com os números do Hospital da Restauração (HR), é que dengue, chicungunha e zika não causam só sintomas clássicos (febre, manchas na pele, dores de cabeça, no corpo e nas articulações), que podem se agravar. As arboviroses estão cada vez mais associadas a quadros neurológicos”, frisa.

Na quarta-feira (29), a chefe do Serviço de Neurologia do HR, Maria Lúcia Brito, chamou a atenção, em capacitação realizada na SES, para o fato de 20 pacientes (entre os 160 que tiveram doença neurológica com arbovirose confirmada em exames laboratoriais) terem apresentado AVC com diagnóstico predominante de zika, seguida por chicungunha.

Outros oito pacientes, pelo menos, que eram sadios, tiveram um quadro inicial de ADEM (sigla para encefalomielite aguda disseminada) e, de cinco a sete meses depois, durante o acompanhamento no hospital, tiveram novas queixas neurológicas e foram submetidos à ressonância magnética, que mostrou lesões compatíveis com esclerose múltipla. Além deles, de seis a oito casos foram de esclerose lateral amiotrófica (ELA) relacionados com zika e chicungunha. Mais quatro pacientes apresentaram crises convulsivas em que apareceram confirmações laboratoriais também de ambos os vírus.

“Todos os dias há pacientes. Atualmente é um número grande que chega com queixas de rash cutâneo (manchas vermelhas na pele), outros com febre e rash, além de um grupo que não tem sintomas expressivos. A gente supõe que esses quadros podem ser decorrentes de uma modificação do vírus, talvez uma nova cepa viral. Isso também pode sugerir que a resposta imunológica do paciente tenha se modificado diante de uma epidemia”, diz Maria Lúcia Brito.

Só este ano Pernambuco já notificou 25 mil casos de arboviroses, com 37 óbitos suspeitos. “Neste momento, vivenciamos um surto epidêmico em alguns municípios, especialmente do Sertão. O aumento de casos (de dengue, chicungunha e zika) está acontecendo. Por isso, precisamos estar sempre cientes de que esses vírus estão circulando no meio ambiente”, alerta Claudenice Pontes.

3.839

confirmações, entre quase 25 mil casos suspeitos de arboviroses, já foram registradas este ano no Estado

161

gestantes tiveram suspeita de infecção viral. Entre elas, 40 tiveram confirmação de dengue, 7 de chicungunha e 1 de zika

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