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Simulador a favor da visão

Fonte: Jornal do Commercio

A catarata é a principal causa de cegueira reversível no mundo. Por ano, a Fundação Altino Ventura (FAV) realiza cerca de nove mil cirurgias de catarata. Já as intervenções na retina, que exigem um alto grau de especialidade, beneficiaram, no ano passado, 631 pacientes atendidos pela fundação. Com o propósito de oferecer cirurgias de catarata e de retina com mais precisão e segurança, a instituição inaugurou ontem o primeiro Laboratório de Cirurgia Virtual do Norte e Nordeste.

Referência em ensino de oftalmologia, a FAV passa a ser a única da região a dispor de um simulador capaz de reproduzir diversas técnicas cirúrgicas e cenários no olho humano. O novo método será utilizado por cerca de 80 médicos residentes, que poderão treinar e aperfeiçoar os procedimentos cirúrgicos, por meio de realidade virtual, sem o risco de complicações para os pacientes.

O aparelho, de tecnologia alemã, era um sonho antigo, conforme explica a coordenadora do curso de especialização da FAV, Bruna Ventura. “É um sonho de 10 anos da fundação. O equipamento simula o olho do paciente, a densidade dos tecidos. Ele tem níveis, que atendem desde o médico que está iniciando em cirurgia ou que acabou de passar na residência, até os mais experientes. Simula as reações do olho, todas as imagens em 3D. Tudo isso para que, quando o paciente for operado, o médico esteja em outro nível de aperfeiçoamento”, destaca. No Brasil, esse tipo de aparelho só é encontrado no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Bruna Ventura informa que a operação de catarata é o carro-chefe de cirurgias oftalmológi-cas em geral. “Socialmente ela é muito importante de ser revertida, porque não há regressão da doença sem intervenção cirúrgica. Ou o paciente opera ou a visão vai ficando cada vez mais comprometida. E, quando ele opera, sai com 100% da visão, então tem um impacto muito grande na vida do paciente”, explica.

DELICADEZA

Já a cirurgia de retina é extremamente especializada. “Como principal emergência oftalmoló-gica do SUS, a fundação atende muitos pacientes com deslocamento de retina e outros problemas. É uma cirurgia extremamente delicada, que envolve muita destreza. Quanto mais treinado estiver o médico, melhor o resultado da intervenção”, observa.

Bruna Ventura ressalta que não há limite para o treinamento, que envolve diferentes graus de dificuldade, de acordo com a experiência de cada médico residente. “A ferramenta permite ao médico repetir a técnica de forma virtual quantas vezes forem necessárias para seu aperfeiçoamento, o que é crucial para uma cirurgia tão delicada quanto a ocular”, observa a coordenadora do curso de especialização em oftalmologia da FAV.

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