CIDADES | Fonte: Jornal do Commercio

Mais perto dos números mais baixos

O número de homicídios nos cinco primeiros meses deste ano se aproxima do registrado – no mesmo período – nos melhores anos do Pacto pela Vida (PPV). Entre janeiro e maio de 2019 foram 1.505 assassinatos. Nos mesmos cinco meses de 2013, ano em que o PPV teve seu melhor momento, foram 1.354. Em 2014, o total foi de 1.445 mortes violentas. Para se ter uma ideia, o período de janeiro a maio de 2017, ano mais sangrento da história de Pernambuco, teve 2.496 assassinatos. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), a tendência de queda vem desde dezembro de 2017, chegando, em maio passado, ao 18º mês consecutivo com redução no número de homicídios.

O resultado de hoje tem ligação direta com abril de 2017. Naquele mês, o governo vivia seu inferno astral na segurança pública. O mês de março, com seus 554 homicídios, tinha sido o pior da história do Estado (até hoje é o recordista). A perspectiva era de um ano catastrófico, e havia uma eleição estadual no caminho, em 2018. No dia 12 de abril de 2017, o governador Paulo Câmara (PSB) anunciou pacote de investimentos na área, um total de R$ 290,8 milhões. O montante serviu para contratação de 4,5 mil novos policiais e aquisição e modernização de equipamentos, como motos e até helicópteros. À época, a SDS era dirigida pelo delegado aposentado da Polícia Federal Ângelo Gioia, que dois meses depois, após uma turbulenta gestão, deixaria a pasta para dar lugar a seu então executivo, Antônio de Pádua.

É Pádua quem, 25 meses depois, explica a importância do investimento feito em meio ao trágico ano de 2017. “Os recursos eram escassos, então investimos no que era preciso para mudar o panorama da época.” Leia-se, além dos servidores contratados, a interiorização de delegacias e batalhões de polícia. Segundo o gestor, a taxa de resolução de assassinatos saltou de 30% para os atuais 53%, o que contribuiu para redução nos crimes de morte.

Ainda de acordo com a SDS, o mês de maio marcou uma queda de homicídios em todas as regiões do Estado. Os feminicídios tiveram redução de 50% na comparação com o mês anterior. E, seguindo a tendência, perto de 70% dos assassinatos têm alguma relação com tráfico de drogas. 

Já que os bons resultados atuais são frutos de forte investimento feito há dois anos, daria para garantir fôlego financeiro para a segurança pública do Estado em meio a um cenário econômico ainda mais apertado e incerto? “Não só garantimos para os próximos dois anos a capacidade de investimento como já temos o foco, que será em inteligência. Aquisição de softwares, equipamentos de reconhecimento facial, drones, entre outras coisas”, diz Pádua, que já tem uma meta para o fim do ano. “Queremos terminar com menos homicídios que em 2014.” Naquele ano, houve 3.434 assassinatos.

Para o Movimento PE de Paz, a redução deve ser comemorada, mas é preciso um olhar crítico sobre os números. “Reduzir apenas com repressão tem um limite. A tendência é a curva se inverter. Se não houver um sólido trabalho de prevenção, esses números podem voltar a crescer, como foi em 2014 e terminou no caótico de 2017”, diz Tales Ferreira, coordenador do movimento. “Pelo gráfico já se percebe uma desaceleração da queda. Precisamos fortalecer programas para egressos do sistema prisional, melhorias na educação, diminuição do desemprego. Tudo isso se faz a médio prazo”, completa.

‘Reduzir apenas com repressão tem um limite. A tendência é a curva se inverter”, explica o coordenador do Movimento PE de Paz, Tales Ferreira

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