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De olho em ampliar serviço

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CIRURGIA DE CATARATA No mês em que pretende fazer 2.750 operações, Secretaria Estadual de Saúde anuncia descentralização de atendimento

Responsável por quase metade dos casos de cegueira no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, a catarata só tem uma opção de tratamento: a cirurgia, que é capaz de recuperar a capacidade visual. O procedimento será oferecido gratuitamente este mês a 2.750 pacientes pernambucanos, cuja expectativa é evitar que o problema evolua para a perda total da visão. A iniciativa, da Secretaria Estadual de Saúde (SES), desponta num momento em que Pernambuco precisa ampliar a assistência oftalmológica. “Com o mutirão, sinalizamos o início da descentralização nos atendimentos, principalmente os de urgência (hoje concentrados na capital). Até o fim do ano, teremos uma ou mais UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), no Grande Recife, que oferecerão o serviço oftalmológico de emergência”, garante o secretário estadual de Saúde, André Longo.

Ele acrescenta que a proposta é fazer da UPA uma unidade de portas abertas – ou seja, que não exija necessidade de marcação nem encaminhamento de unidades básicas, desde que se trate de atendimento de emergência. “Essa medida vai ampliar a oferta assistencial e também diminuirá a sobrecarga da Fundação Altino Ventura, que hoje é o único serviço (da rede pública) de procura espontânea pela população no Estado”, aposta o secretário.

No Recife, durante o mutirão de cirurgias de catarata deste mês, além da Fundação Altino Ventura (FAV), os procedimentos serão realizados no Serviço Oftalmológico de Pernambuco (Seope), no Hospital de Olhos Santa Luzia, no Instituto de Olhos do Recife (IOR) e no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As marcações são feitas pelos serviços onde os pacientes já realizam tratamento e devem passar por exames pré-operatórios.

Além da participação das cinco unidades na capital pernambucana, outros três serviços no interior recebem a mobilização. No Agreste, as cirurgias serão feitas nas Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) de Garanhuns e Caruaru; no Sertão, na UPAE de Petrolina. Nessas cidades, as Regionais de Saúde (Geres) atuam em parceria com a gestão municipal para garantir o encaminhamento dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) às unidades. “O objetivo do mutirão é ampliar a oferta da cirurgia de catarata, já disponível na rede, além de dar celeridade aos casos mais graves, de acordo com a classificação de risco. Vamos garantir que a cirurgia seja feita no menor tempo possível”, afirma André Longo.

Segura, rápida e eficaz, a cirurgia consiste na retirada do cristalino opaco (lente natural que dá o foco visual) e colocação de uma lente intraocular, capaz de recuperar a visão. O procedimento, considerado de baixa complexidade, é feito com anestesia local e sem a necessidade de internação. O índice de recuperação é satisfatório e, em 90% dos casos, o paciente volta a enxergar normalmente. No ano passado, mais de 20 mil cirurgias de catarata foram realizadas no Estado, pelo SUS. Entre elas, 9,6 mil foram feitas em unidades ligadas à rede estadual. As UPAEs de Caruaru, Garanhuns e Petrolina realizaram, apenas em 2018, 3.300 cirurgias oftalmológicas no tratamento de doenças oculares.
Entre os principais sintomas da catarata, destacam-se a sensação de visão embaçada, a alteração contínua do grau dos óculos, a maior sensibilidade à luz e a percepção de que as cores estão desbotadas.

“À noite, não enxergo mais direito (por causa da catarata). Caminho olhando para o chão para não cair. Fiz exames no sábado e, domingo, devo fazer a cirurgia”, diz Bibiana Rogaciana Ribeiro, 73, moradora de Surubim, no Agreste

“Comecei a sentir a vista embaçada, e o médico me encaminhou para avaliação no Recife. Sábado fiz exames de coração e de sangue para fazer a cirurgia de catarata”, conta Eudes Dias da Silva, 69, morador de Itamaracá, no Grande Recife.

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