POLÍTICA | Fonte: Jornal do Commercio

Em Camaragibe, a falta é do básico

Fonte: Jornal do Commercio

Há duas semanas, os camaragibenses acordaram com a notícia de que o prefeito da cidade, Demóstenes Meira (PTB), estava preso, sob a acusação de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro.

No mesmo dia, a vice-prefeita, Nadegi Queiroz (DC), assumiu o comando do Executivo municipal com a difícil missão de colocar a máquina pública para funcionar de forma imediata.

Na última quarta-feira (3), o JC percorreu as ruas de Camaragibe e, uníssona, a população cobrava o básico: saúde, educação e segurança. Faltam remédios e médicos nos postos, crianças vão às escolas sem material e fardamento escolar, e a violência assombra os moradores. “A situação está crítica”, resumiu a desempregada Roseane Maria da Conceição, de 46 anos.

“Tenho uma filha que ainda não recebeu caderno, lápis e até a farda para ir ao colégio. E olhe que já passou o primeiro semestre.

A professora está dizendo que não há previsão para receber mantimentos neste ano”, disse Roseane. Sua filha estuda em um colégio municipal que fica no bairro de Jardim Primavera.

Além dos problemas na área de educação, os moradores de Camaragibe que precisam dos medicamentos distribuídos na rede pública estão enfrentando dificuldades para encontrá-los.

“Eu preciso tomar um remédio que ajuda a dormir, e que custa R$ 30 reais. São três caixas por mês, ou seja, R$ 90 reais. Isso é muito caro para mim que sou desempregada e sobrevivo do Bolsa Família”, lamentou Roseane.

Diante da situação, Nadegi Queiroz afirmou, por meio de nota, que foi iniciado o abastecimento de medicamentos nos postos e que a “situação será normalizada em um prazo máximo de oito dias”. Sobre a falta de material e fardamento escolar, a atual prefeitura ressaltou que o problema já foi identificado e que será solucionado em breve.

Segurança pública também é outro problema. Segundo moradores, assaltos constantes vêm acontecendo nas ruas da cidade.

“Moro aqui há 31 anos e vi, que nos últimos anos, a violência aumentou bastante. Está muito perigoso andar em Camaragibe, tem muito ladrão”, desabafou o comerciante José da Silva, de 45 anos.

A mesma opinião é compartilhada pelo aposentado José Manoel, de 72 anos. “As pessoas andam na cidade e correm o risco de serem assaltadas e mortas”, disse Manoel.

Os servidores municipais também penam. A prefeitura anunciou a suspensão do pagamento da primeira parcela do 13º salário, que estava programado para este mês. O município tem 1,8 mil servidores.

Segundo a prefeita em exercício, a primeira parcela do benefício equivale a R$ 2,8 milhões. No total, o caixa da prefeitura tem saldo de R$ 3,8 milhões.

Para reequilibrar as contas, foram exoneradas 410 pessoas, sendo 260 de cargos comissionados e 150 contratados. Segundo a gestora, esses trabalhadores desligados não foram encontrados pelas suas gerências, ou seja, seriam funcionários fantasmas.

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