EDITORIAL | Fonte: Jornal do Commercio

A dengue mata!

Fonte: Jornal do Commercio

Quantas mais notícias sobre mortes causadas por doenças que podem ser prevenidas precisam ser divulgadas para que a população se dê conta de que o problema é grave, exige vigilância e atitudes preventivas ao alcance de todos? Não deveria bastar o anúncio lamentável de mais uma morte causada por dengue em Pernambuco e que no País 414 pessoas morreram nos primeiros seis meses de 2019 vítimas da dengue? Parece que não. É como se estivéssemos ainda perante a descrença coletiva que havia no começo do século passado, quando muita gente morreu por causa de um mal causado pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, no Rio de Janeiro, e foi preciso adotar ações militares.

O aviso está dado na biblioteca virtual Oswaldo Cruz: quando ele foi nomeado para a Diretoria Geral de Saúde Pública, em 1903, a febre amarela era o principal problema sanitário da capital federal. Só em 1902, quase mil pessoas morreram na cidade e o Rio ganhou a fama de “túmulo dos estrangeiros”. A perspectiva histórica do combate desenvolvido por Oswaldo Cruz sempre deverá ser lembrada, para que mais de um século depois as pessoas se advirtam de que o combate pode ir além de avisos: o Rio foi dividido em distritos sanitários sob jurisdição das delegacias de Saúde a quem competia receber notificações, aplicar multas e intimar os donos de imóveis considerados insalubres a reformá-los ou até demoli-los.

Em nosso Estado já foram notificados 32.952 casos suspeitos de dengue. Esse quadro caracteriza o que deve ser um alerta vermelho: o número de casos fatais de dengue triplicou no País e a gerente de Vigilância Epidemiológica do Recife, Natália Barros, fala em “cenário de ascensão”.

A morte de uma adolescente de Água Fria chama atenção para mais de um milhão de casos que estão em processo de verificação em laboratório. A medicação já deve ser do conhecimento de todos, mas o alerta continua. A Secretaria de Saúde do Recife pede mais uma vez que a população adote medidas de prevenção e controle do Aedes aegypti e ainda recomenda que as pessoas mantenham as portas de suas casas abertas para os agentes de saúde que visitam as residências para monitorar e eliminar criadouros em potencial do mosquito. O médico Carlos Brito, professor da UFPE, explica que o cenário de aumento de casos de arboviroses, especialmente dengue, é esperado porque nosso Estado passou anos sem circulação intensa dos vírus da doença. Ele diz que desde 2011 não observamos surtos em grandes proporções por dengue e que a volta da circulação além do esperado é sempre um sinal de gravidade, o que alerta para a necessidade de população e governo não relaxarem no combate ao mosquito.

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