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Unidade móvel em SP faz exame gratuito de câncer de pulmão

Fonte: Folha de S. Paulo

Ainda em sua fase piloto, uma unidade móvel desenvolvida para rastrear câncer de pulmão já detectou um caso da doença e outros dois tipos de cânceres em Barretos (a 423 km de São Paulo).

O projeto é do Hospital de Amor, na cidade do interior, e tem como objetivo combater a mais letal entre as neoplasias malignas. Só em 2018, o hospital tratou cerca de 1.300 pacientes com a doença, dos quais 400 eram casos novos-mais de um por dia, em média.

O exame, indisponível no SUS e em parte da rede privada, consiste em uma tomografia computadorizada de baixa dose de radiação. A carreta foi desenvolvida em parceria com uma empresa holandesa e com recursos do MPT (Ministério Público do Trabalho) oriundos de multas recebidas pelo órgão.

Foram examinados até agora 150 pacientes. Em 15 foram encontrados nó dulos suspeitos, que devem ser reavaliados em três meses. Um paciente foi diagnosticado com câncer de pulmão e já está em tratamento. Outros dois tinham tumores de mama e esôfago.

A ideia da carreta móvel é tentar diagnosticar mais precocemente a doença e, também, combater a exposição aos fatores de risco, segundo o radiologista do hospital Rodrigo Sampaio Chiarantano, 43.

“Apesar de ter uma frequência semelhante a outros cânceres, o de pulmão mata muito mais por que é uma doença que se desenvolve silenciosamente. Quando os sintomas aparecem, provavelmente já está em fase avançada”, disse.

Entre os sintomas de alerta estão tosse, tosse com sangue, dor no peito e falta de ar. A maioria dos pacientes, quando diagnosticados com a doença, já estão nos estágios 3 ou 4, o s mais graves. “A estatística mundial indica que a sobrevida após cinco anos é de 3,6% nos pacientes diagnosticados no grau 4, ou seja, a mortalidade é altíssima.” Chiarantano disse que 80% dos casos de câncer de pulmão têm elo direto com a inalação da fumaça do tabaco e que um fumante passivo tem de 25% a 30% mais chances de desenvolver a doença do que uma pessoa que não convive com quem fuma.

Os exames só serão feitos em pacientes que estejam no grupo de risco: entre 55 e 75 anos, que sejam fumantes atuais ou que tenham parado há menos de 15 anos e que tenham histórico de tabagismo superior a 30 anos/maço (basta multiplicar o número de maços de cigarro que o paciente fumava por dia, em média, pelo total de anos que fumou).

Ainda conforme o radiologista, a triagem na unidade de pulmão é feita por um médico e o paciente já sai encaminhado a um especialista. “A gente recebe o paciente para rastreamento e devolvemos dois laudos. Um é técnico, com todas informações do exame. O outro é endereçado ao paciente, didático, explicando o que foi encontrado ou não.”

O programa-piloto é fruto de parceria com a prefeitura para examinar fumantes atendidos pela saúde local. Os casos estão sendo absorvidos pelo próprio hospital. A ideia é levar a carreta para outros locais do país.

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