OPINIÃO | Fonte: Jornal do Commercio

Para dr. Rostand paraíso

JAYME ASFORA

Para muitos, Dr. Rostand Paraíso era o médico cardiologista, uma grande referência na especialidade e professor de muitas gerações. Para outros, era o escritor, historiador, memorialista e membro da Academia Pernambucana de Letras – autor de 15 magníficas obras em que o Recife é o personagem principal. Para os amigos do Country, um dos seus melhores presidentes e seu maior formador de opinião. Eu tive o privilégio de conhecer de perto Dr. Rostand. Me tornei, assim como todos que tiveram essa dádiva, seu fã absoluto. Do ser humano Rostand: uma pessoa raríssima em suas incontáveis virtudes. Um poço de elegância, simpatia, simplicidade, delicadeza, decência, honestidade, cultura, sabedoria e, muita, generosidade.

Fiquei intensamente triste com a notícia. Recife perde um dos seus maiores e mais profundos intelectuais, além de um médico brilhante e, como era comum à geração de papai (a mesma), daqueles que faziam da medicina um sacerdócio, atendendo a todos com atenção e denodo; indistintamente – se o paciente era pobre ou rico, por exemplo, não importava.

Como disse outra grande literata de nossa cidade, Fátima Quintas, em matéria deste JC: “Rostand prezava muito pela história e pela pesquisa. Gostava muito de aprofundar seus conhecimentos, especialmente sobre o Recife, uma cidade que está hoje tão decaída. Seu olhar para a cultura e a literatura estava sempre atento à forma e à beleza. A história e dignidade são dois grandes elementos do legado de Rostand”.

Depois da graduação, voltando de estudos nos EUA, Dr. Rostand foi fundador do Prontocor e, junto com Dr. Carlos Moraes (outro médico excepcional) fundou o Instituto do Coração de Pernambuco. Mas, muito além de sua capacidade e experiência profissional, Dr. Rostand foi um mestre em ensinar, aos seus alunos e seus colegas, a importância do respeito, devoção e compromisso com cada pessoa. Um filósofo do humanismo, tão escasso na quadra em que vivemos…

Acredito que o legado que cada um de nós deixa concretamente aqui no plano terreno é sempre imaterial. Por isso, o culto à leitura, a busca da informação precisa; a ode ao conhecimento, amalgamada à sua vida, perenizou-se!

Por tudo, Dr Rostand continuará a ser o homem raro que sempre foi. Um homem integral. E vai fazer muita falta. Daqui, muito emocionado, lhe mando um abraço de filho. E agradeço a Deus por ter-lhe colocado em meu caminho e por ter sido tão abençoado com seus gestos largos e tão generosos.

l Jayme Asfora é procurador do Estado

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