CIDADES | Fonte: Jornal do Commercio

Mães brigam por direitos conquistados

Fonte: Jornal do Commercio

Entre os meses de maio e junho, 22 crianças pernambucanas com microcefalia tiveram suspenso o benefício de prestação continuada (BPC), que equivale a um salário mínimo (R$ 998). Ontem, 97 mães estiveram em frente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, cobrando respostas para o corte. E saíram de lá sem explicações. O benefício ajuda nos custos de alimentação e tratamento dos filhos.

Elas fazem parte da União de Mães de Anjos (UMA), associação que presta assistência a famílias de crianças que nasceram com a síndrome congênita do zika vírus. Soraya Palloma da Silva é uma delas. Viúva e desempregada, ela dependia totalmente do benefício para custear as despesas com o filho, Leonardo Gabriel da Silva, 3 anos. “Esta é a segunda vez que fico sem o BPC. Em 2017, cortaram e fiquei mais de um ano sem amparo. Não houve retroativo. Agora, cortaram de novo sem dizer o porquê. Disseram que eu tinha renda fixa, mas eu nem trabalho porque preciso cuidar do meu filho”, conta. Sem apoio da família, ela recorre a conhecidos para pagar as contas e comprar comida. “Eu peço a quem pode, peço ajuda na UMA. Minha família me virou as costas e eu não tenho renda, Gabriel está abaixo do peso porque não está tomando o leite que precisa. Os suplementos, que antes eu pegava na Farmácia do Estado, também estão em falta faz muito tempo”, acrescenta a dona de casa.

Presidente da UMA, Germana Soares, mãe de Guilherme Soares, 3 anos, é outra das prejudicadas. Segundo ela, as mães não sabem por que o benefício foi suspenso. “O CadÚnico está regular. A prova de vida está regular, não há divergência financeira, estão não estamos entendendo o porquê disso. Nem o INSS sabe o que está acontecendo.”

Mais de 140 pessoas participaram do protesto de ontem. Heloísa Nayara Ramos, de 5 anos, a dona de casa Erivânia Rocha não recebe o BPC desde junho. Com o marido desempregado, ela recorre à família e à UMA para comprar os medicamentos de que a filha precisa.

Para receber o benefício, as famílias precisam ter renda, por pessoa da família, menor que ¼ do salário mínimo. Segundo as mães, não houve alteração de renda. O INSS informou que quem cuida do assunto é o Ministério da Cidadania, que se limitou a dizer que “está em contato com a União de Mães de Anjos e aguarda o envio dos dados das beneficiárias do BPC para verificação de suas situações cadastrais”.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que dos dois medicamentos disponibilizados pela Farmácia de Pernambuco para tratar as convulsões das crianças, apenas um, o Vigabatrina (Sabril), está em dia. O outro, o clobazam (Frissium), passou por licitação mas não houve empresa interessada. “Um novo processo está em fase final de aquisição”, disse.

A Prefeitura do Recife informa que fornece fraldas e suplemento nutricional para as crianças cadastradas na Secretaria de Saúde. A distribuição, diz, está sendo feita normalmente.

409

famílias que têm criança com microcefalia são apoiadas e orientadas pela União de Mães de Anjos

140

pessoas, em média, participaram do protesto, em frente ao INSS, em Santo Amaro, área central do Recife

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