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ONU alerta que a fome continua avançando

Fonte: Diario de Pernambuco

Relatório anual de várias organizações da ONU publicado esta semana alerta que cerca de 821,6 milhões de pessoas passaram fome em 2018 em todo o mundo, um aumento de 10,6 milhões em relação ao registrado no ano anterior, o que representa o terceiro aumento consecutivo. Depois de décadas de declínio, a desnutrição vem aumentando desde 2015. Contra um dos objetivos de desenvolvimento sustentável de 2030, a perspectiva de um mundo sem pessoas subnutridas neste período é um “imenso desafio”, diz o relatório.

Intitulado O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo, o relatório pede ação: “Para garantir a segurança alimentar e nutricional, é fundamental ter políticas econômicas e sociais para neutralizar os efeitos de ciclos econômicos adversos quando eles chegam, evitando a redução de serviços essenciais como assistência médica, saúde e educação”, diz.

Apelando para uma “transformação estrutural”, que inclua os mais pobres, o documento pede para “integrar a segurança alimentar e nutricional nos esforços de redução da pobreza”, ao mesmo tempo em que se combate as desigualdades de gênero e a exclusão de grupos sociais.

A desnutrição continua a prevalecer em continentes específicos: África (quase 20% da população afetada), América Latina e Caribe (menos de 7%) e Ásia (mais de 12%). A deterioração da segurança alimentar na América Latina e no Caribe levou 42,5 milhões de pessoas a passarem fome no ano passado, um flagelo que atinge a Venezuela com força especial.

“Na América Latina e no Caribe, as taxas de subnutrição aumentaram nos últimos anos, em grande parte como resultado da situação na América do Sul, onde a porcentagem de pessoas com fome aumentou de 4,6% em 2013 para 5,5% em 2018”, informa a FAO.

A América do Sul é afetada pela extensa e profunda crise econômica pela qual a Venezuela está passando. Nos últimos anos, a prevalência de desnutrição no país caribenho multiplicou-se quase quatro vezes, de 6,4% em 2012-2014 para 21,2% em 2016-2018, aponta o documento. “Durante os primeiros 15 anos deste século, a América Latina e o Caribe reduziram a desnutrição pela metade, mas desde 2014 a fome vem aumentando”, alertou Julio Berdegué, representante regional da FAO.

Na América Central e no Caribe, o percentual de pessoas afetadas pela fome continua a diminuir, com 6,1% e 18,4%, respectivamente, mas ainda acima da América do Sul, com 5,5%. Com esses números, “temos que resgatar, em média, mais de 3,5 milhões de pessoas da fome todos os anos até 2030, se quisermos alcançar a meta de fome zero do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável”, disse Berdegué. (AFP)

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