ESPECIAL | Fonte: Correio Braziliense

Garantia de excelência na saúde

Fonte: Correio Braziliense

Aperfeiçoar a gestão da saúde é um ponto fundamental para mudar a percepção dos brasileiros quanto à eficiência dos serviços prestados tanto por instituições públicas quanto privadas ao redor do país. De acordo com informações do Conselho Federal de Medicina (CFM), estima-se que apenas 10% da população avalie como bom o atendimento oferecido nos hospitais e em outras unidades de saúde do Brasil. Na lista de reclamações dos usuários, a má administração dos gestores aparece como um dos principais entraves para que o setor receba avaliação positiva.

“Na área da saúde, existe uma diferença essencial em relação a outros segmentos, que é o fato de tratarmos com vidas. Quando se enxuga algo fundamental para a manutenção da segurança e da qualidade (do serviço prestado ao) paciente, o risco é grande. Tomar uma decisão errada pode comprometer vidas, que não são substituíveis. Por isso, é importante a presença de um gestor que saiba priorizar e delegar ações para montar um plano que esteja adequado às necessidades da sua instituição”, destaca a professora Adriana André, coordenadora do MBA em gestão de Clínicas, hospitais e indústrias da saúde da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Mesmo com o aumento do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado a dispêndios com saúde – de 3,8%, em 2015, para 8%, no ano passado, segundo levantamento feito pelo Banco Mundial -, parece estar longe a solução de problemas como falta de insumos e médicos e orçamento limitado, no caso do setor público; e cobertura insuficiente do convênio e mensalidades altas dos planos de saúde, no caso do privado.

Diante dessa realidade, uma alternativa para pessoas à frente das instituições que prestam serviços hospitalares à população é otimizar recursos, sejam financeiros, sejam humanos. “Otimizar significa analisar aquilo que você tem e investir. A partir disso, você pode entender quais são as suas principais demandas e distribuir os recursos de forma que os atendimentos aconteçam da melhor forma”, analisa Adriana. “Um bom gestor sempre deve pensar estrategicamente e planejar reuniões eficientes, com metas a serem atingidas. Assim, ele terá um bom embasamento para apresentar propostas de solução aos problemas”, acrescenta Adriana.

Fora do papel

conselho da professora é seguido à risca em algumas unidades de saúde do Distrito Federal. CEO do Hospital Santa Marta, Luci Emídio conta que a gestão por lá é feita justamente com base em um planejamento estratégico que, desde 2011, sofreu quatro revisões. “O planejamento é focado em dois pilares, tidos como itens básicos da nossa gestão: a qualidade e a segurança do paciente. Além de mim, existem diretores e sócios do conselho de administração que seguem severamente os protocolos institucionais, tudo para entregar a melhor assistência à sociedade”, detalha.

O hospital consegue atender a uma demanda de aproximadamente 24 mil pessoas por mês. Para não perder o controle da situação, Luci acompanha diariamente os indicadores de produtividade da unidade de saúde. Além disso, o alto escalão do centro hospitalar se reúne a cada mês, a fim de analisar o que foi cumprido e o que ficou no meio do caminho.

“É preciso tornar o hospital legal em todos os ambientes, tanto que temos um manual de conduta e ética muito rigoroso. Fazemos um fórum mensal de análise crítica, em que entra a liderança e a diretoria do hospital. Nós mensuramos os resultados obtidos durante os últimos 30 dias e trabalhamos em cima disso”, conta a CEO.

A autoavaliação permite ao hospital manter os cerca de 2 mil funcionários cientes da principal meta da organização: minimizar os efeitos do acompanhamento médico aos pacientes. “Com uma equipe equilibrada e trabalhando em um bom clima organizacional, conseguimos prestar uma assistência mais eficaz. Quanto mais o colaborador se identifica com os valores da empresa, mais fácil é entregar os resultados que se esperam dele”, frisa Luci.

Cenário adverso

Pesquisas mostram a importância de uma boa gestão na saúde

Em 2018, uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), revelou que 55% dos brasileiros avaliaram a saúde no país como ruim ou péssima, enquanto 34% a classificaram como regular;Das quase 2,1 mil pessoas que participaram da pesquisa, a insatisfação foi compartilhada por 94% dos pacientes que têm plano de saúde e por 87% dos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS);Segundo 51% dos entrevistados, o tempo de espera para atendimento, a escassez de recursos e a má gestão são os aspectos que mais comprometem a qualidade do serviço;O estudo ainda revelou que 83% das pessoas ouvidas acreditam que os recursos públicos não são bem administrados; 73% dizem que o atendimento não é igual para todos; e 62% creemque o SUS não tem gestores eficientes e bem preparados;Outro levantamento, feito também no ano passado, pela Comissão de Saúde Global de Alta Qualidade, do jornal científico The Lancet, estima que 153 mil brasileiros percam a vida anualmente por causa de atendimento médico de má qualidade;  Além disso, 51 mil morrem por falta de acesso a atendimento de saúde.

Fontes: CFM e Comissão de Saúde Global de Alta Qualidade

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