CIDADES | Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Aedes ultrapassa os limites

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

ARBOVIROSES Pernambuco confirmou segundo óbito por dengue este ano e, pelo menos, 14 mil pessoas tiveram dengue, chicungunha ou zika

Dengue, chicungunha e zika já causaram juntas o adoecimento de 14 mil pessoas em Pernambuco este ano. Além delas, outros 22.719 casos de pacientes que apresentaram sintomas de arboviroses permanecem em investigação no Estado, que confirma a segunda morte do ano por dengue. A vítima foi um homem de 29 anos, de Bom Conselho, município do Agreste pernambucano. O óbito ocorreu em março, mas apenas ontem a Secretaria Estadual de Saúde (SES) atestou a causa relacionada à doença, que tem causado epidemias de forma cíclica de três a cinco anos. Tanto Pernambuco como a capital despontam atualmente numa linha acima do limite máximo de casos para o período, o que caracteriza zona epidêmica.

“A curva de notificações está fora do padrão esperado. Vivenciamos meses com um clima fora do habitual. Isso é favorável para o desenvolvimento do mosquito, o que leva a um aumento de casos. Outro detalhe que pode justificar essa ascensão é a circulação conjunta de dois sorotipos virais da dengue: o 1 e o 2”, destaca a gerente do Programa de Controle das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes. Regiões do Sertão, principalmente, que tiveram dois picos de arboviroses (em fevereiro e julho) chegam a apresentar variação de 2.000% no número de casos, comparando este ano com o anterior.

Na tentativa de reverter o cenário de alerta e de evitar surtos nos próximos meses, a SES lança a campanha Sem mosquito não tem doença, que divulga peças informativas em diversas plataformas (jornais, backbus, abrigos de ônibus e painel em metrô) para evitar o nascimento do mosquito Aedes aegypti. A iniciativa reforça a importância de se manter recipientes com água devidamente cobertos ou tampados. Quando não estão em uso, baldes, caixa-d’água e garrafas devem ser guardados em local coberto e com a boca para baixo. O trabalho reforça ainda a atenção a calhas, vasos de planta e piscinas, locais que facilmente podem se transformar em criadouros para o mosquito.

No Recife, agentes de controle de endemias realizam diariamente visitas domiciliares com a tarefa de identificar ambientes que possam ser favoráveis ao desenvolvimento de criadouros do mosquito. Eles seguem um roteiro de inspeção, durante atividades de vigilância, para barrar a proliferação do Aedes. Mesmo com a rotina de monitoramento, aliada a estratégias como a instalação de ovitrampas (permitem o monitoramento da população dos mosquitos) e o Centro de Mosquitos Estéreis, a capital pernambucana chega a somar 4.031 notificações de arboviroses este ano, o que representa um aumento de 59,3%, em comparação com o mesmo período de 2018.

“Nossos times permanecem em campo fazendo as ações de rotina. Estamos atentos aos casos, que estão acima do esperado para este período do ano”, destaca o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. Ele acrescenta que o último Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), consolidado em julho, demonstrou que a cidade está em situação de alerta. O LIRAa do Recife está em 1,9% – ou seja, a cada 100 imóveis visitados, algum tipo de criadouro foi encontrado em 1,9% deles.

O índice funciona como um termômetro para identificar como está o risco de surto das dengue, chicungunha e zika. Além disso, identifica os bairros mais críticos e os depósitos de focos predominantes na área. Com o resultado, é possível planejar as ações de controle que devem ser adotadas. Na cidade, por exemplo, Cohab, Ibura e Jordão (Zona Sul), assim como Sítio dos Pintos, Dois Irmãos e Nova Descoberta (Zona Norte), estão entre os bairros com LIRAa elevado, maior do que 4%, o que indica risco muito alto de surto.

MORTES

Em Pernambuco, além dos dois óbitos confirmados para dengue, outros 46 permanecem em investigação para arboviroses. “Essas notificações são um marcador de gravidade. Este ano, com a circulação do sorotipo 2 da dengue, percebemos novamente mais formas graves da doença. Essa condição acende ainda um sinal vermelho para 2020, que tem o risco de ser um ano com uma onda ainda mais expressiva de casos”, frisa o clínico-geral Carlos Brito, que integra o Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde.

“Mantemos todas as medidas de controle do mosquito, além das estratégias de vigilância e de monitoramento”, frisa o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia

“Todos nós devemos estar sempre vigilantes para evitar que um recipiente se transforme em um criadouro do Aedes aegypti”, destaca Claudenice Pontes, da SES”. Percebemos que existe hoje uma grande população susceptível a arboviroses. As crianças são as que mais têm risco de adoecimento”, salienta o médico Carlos Brito.

Gostou ? Então deixe um comentário abaixo.