VIDA URBANA | Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Autista é impedida de viajar em voo

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Ao tentar embarcar em um avião da Latam para o estado do Ceará, a auxiliar de veterinária Uli Firmino foi informada que precisaria de um atestado médico

A auxiliar de veterinária Uli Firmino Ary, de 26 anos, viaja sozinha do Recife, onde mora, para o estado do Ceará desde os 10 anos de idade. No último sábado, ao tentar embarcar em um voo da Latam, ela foi surpreendida com a informação de que precisaria apresentar um atestado médico. Isso porque ela tem síndrome de Asperger, um estado do espectro autista. Apesar de apresentar o documento, ela foi impedida pela companhia aérea. O que era para ser apenas uma viagem de 50 minutos se tornou um transtorno. Inconformada, ela prestou um Boletim de Ocorrência na Delegacia do Turista do Aeroporto Internacional do Recife e acionou o Procon.

“Fui até o guichê solicitar que mudassem meu assento porque eu ficaria na poltrona do meio e isso iria me incomodar porque estaria ao lado de dois estranhos. Entrei na fila preferencial e uma atendente me abordou perguntando o motivo de estar ali. Expliquei que era autista e fui impedida de embarcar”, relata Uli. A Latam pediu que a passageira preenchesse um formulário padrão de informações médicas para viagens aéreas (Medif) e entregasse o documento junto com um laudo médico constando o diagnóstico de autismo.

Na tentativa de viajar ainda no mesmo dia, já que tinha uma cirurgia marcada para o dia seguinte, em Fortaleza, ela entregou os papéis que foram solicitados e, ainda assim, a companhia não autorizou o embarque, após uma série de informações desencontradas, segundo relato da passageira. “Saí do aeroporto e fui atrás de um laudo médico. Quando voltei, não autorizaram meu embarque. Sempre viajei sozinha e nunca tive esse tipo de problema. Me senti constrangida”, lamentou Uli.

Fiscais do Procon estiveram no Aeroporto e a Latam foi autuada por “negar o embarque da consumidora sem apresentar justificativa cabível”. A advogada dela, Taísa Guedes Noronha, esclarece que Uli tem direito de optar pela fila de prioridades, e que nenhuma norma interna da companhia aérea informa sobre a obrigatoriedade de atestado ou acompanhante para passageiros com autismo. “O diagnóstico de Uli é de autismo leve de alto desempenho, o que permite a ela ter uma vida independente, com autonomia para estudar e trabalhar. Além de denunciar o caso de discriminação, estamos entrando com uma ação por danos morais e materiais”, conta Taísa.

Além do prejuízo de perder o voo e ainda ter que adiar a cirurgia, Uli conta que enquanto tentava resolver a situação com os atendentes da Latam, foi discriminada. “Em nenhum momento eles se dirigiam a mim para falar. Eu queria me comunicar, mas não se direcionavam a mim”, reclama.

A passageira estava acompanhada da professora Daniela Genuíno, que dá aula no Núcleo de Educação Musical Inclusiva do Conservatório Pernambucano de Música, turma da qual Uli faz parte. “Sou amiga da família de Uli e sempre a acompanho. Nunca tivemos esse tipo de problema. Passamos por um constrangimento por falta de informação da equipe que nos atendeu”, contou. De acordo com o Procon, Uli viajará hoje às 11h55.

Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que não houve nenhum tipo de discriminação no atendimento à passageira e que qualquer prática ofensiva não reflete os valores da empresa. Ainda de acordo com a nota, a documentação necessária para o transporte de passageiros com necessidades especiais, chamada Medif, deve ser enviada para o e-mail medif@latam.com com 10 dias ou até 48 horas antes do embarque.

Gostou ? Então deixe um comentário abaixo.

Clippings