EDITORIAL | Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Dengue avança

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO

Assustadores os números do recente levantamento do Ministério da Saúde sobre o avanço e a letalidade das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, chikungunya e zika, em todo o país neste ano. São mais de 1,4 milhão de casos de dengue, sete vezes mais do que o registrado no mesmo período do ano passado (de janeiro a 24 de agosto), e 650 óbitos provocados pelas três viroses. Pelo menos 14 estados já estão enfrentando uma epidemia, sobretudo de dengue, o que preocupa especialistas da área. Isso porque, com a chegada da primavera, a proximidade do verão e a volta da temporada de chuvas, ficam criadas as condições ideais para a proliferação do vetor das enfermidades.

As autoridades sanitárias já decidiram antecipar a campanha de esclarecimento para o combate ao mosquito transmissor, prevista para ser lançada daqui a dois meses, mas de nada adiantam os esforços do governo se não houver a estrita colaboração da população. A fêmea do Aedes aegypti precisa de locais próximos à água parada para depositar seus ovos e somente com a supressão desses berçários as campanhas informativas lograrão sucesso.

As ocorrências das doenças seriam evitáveis se houvesse comprometimento dos cidadãos na eliminação dos reservatórios do vetor e se o país tivesse melhores condições de saneamento e abastecimento de água, além de coleta de lixo adequada.

No período registrado pelo Ministério da Saúde, foram 591 mortes causadas pela dengue, 57 por chikungunya e duas por zika, o que significa que 2,7 pessoas perderam a vida, por dia, por causa das infecções. Outros 486 óbitos ainda estão sendo investigados. O aumento dos casos de dengue impressiona, sendo 471.165 registrados em Minas Gerais — 19 vezes mais do que o reportado em 2018 —, o que torna o estado campeão das ocorrências no país. Em seguida aparece São Paulo, com 437.047 notificações, 37 vezes mais do que no ano anterior; Goiás, com 108.079 registros, 47% a mais do que em 2018; Espírito Santo, com 59.318, aumento de 7.175 casos; e Bahia, com 58.956, elevação de 7.656 se comparado com o ano passado.

De acordo com epidemiologistas, uma das prováveis causas da explosão da dengue é a volta da circulação de um subtipo do vírus que pouco apareceu na última década, o subtipo 2. Como ficou por muito tempo com baixa atividade, mais pessoas encontram-se vulneráveis a ele. Para piorar, o vírus de tipo 2, que circula atualmente, é de outra linhagem que se propagou em 2008, quando circulou com intensidade naquela época. E a tendência é de ele ser mais agressivo.

Diante da realidade apontada pelos gestores da saúde pública, todos os meios devem ser empregados para a eliminação do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. As autoridades devem promover as ações necessárias para o enfrentamento das doenças e a população colaborar com a supressão dos lugares onde o vetor pode procriar.

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