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Câncer ocular exige atenção

Fonte: Jornal do Commercio

Apesar de o câncer de mama ser o de maior incidência entre as brasileiras, a campanha Outubro Rosa se consagrou entre as mulheres e alerta cada vez mais para a importância da prevenção. Mas a atenção precisa estar igualmente voltada para outros órgãos que podem ser afetados, como os olhos. O câncer ocular pode se desenvolver a partir de vários fatores – e um dos principais é a metástase do câncer de mama. Hoje, no Dia Mundial da Visão, o alerta se volta, também, para essa doença, que pode levar o paciente à perda da capacidade de enxergar. Raro e pouco conhecido entre a população, esse tipo de câncer pode trazer danos irreversíveis caso não seja diagnosticado e tratado da forma devida. Ele se manifesta de duas formas: por meio de tumores primários, ou seja, que nascem no próprio olho e se desenvolvem na conjuntiva, retina, nervo óptico, córnea ou, ainda, na pálpebra e no canal lacrimal. Já os secundários se fixam no olho e são, principalmente, metástases do câncer de mama, entre as mulheres, ou do câncer do pulmão, entre os homens. A alta incidência de raios solares também é um fator de risco, o que faz com que o Nordeste se destaque entre as regiões que mais registram casos da doença, segundo o International Journal of Cancer. “Os sintomas variam de acordo com a localização da lesão. Tumores palpebrais muitas vezes podem ser percebidos pelos próprios pacientes. Tumores da conjuntiva podem ser percebidos pelo paciente ou em consulta oftalmológica de rotina e, geralmente, vêm acompanhados de irritação ocular”, explica a médica do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE) Cecília Cavalcanti, especialista em oncologia ocular. “Os tumores intraoculares, como as metástases e o melanoma uveal, só são diagnosticados ao exame oftalmológico, seja de rotina ou por apresentar queixas como moscas volantes ou baixa acuidade visual”, continua Cecília Cavalcanti. Tumores menores e diagnosticados precocemente têm mais chance de cura. “No entanto, se o tumor atingir a retina e a coróide, pode levar à baixa visual irreversível, principalmente se acometer a região central da visão”, ressalta a médica. Ela detalha que o tumor maligno, tanto de pálpebras e conjuntiva, como o uveal (íris, corpo ciliar e coróide), se comporta de uma forma diferente e pode ter metástases, principalmente para o fígado e, em segundo lugar, para o pulmão. “Nesses casos, eles têm uma alta taxa de mortalidade”, aponta Cecília. A maioria dos cânceres da superfície ocular tem grande relação com exposição aos raios ultravioleta. “No entanto, existem outro fatores de risco, como exposição à radiação ionizante, imunossupressão, contato com vírus HPV, além de algumas doenças que podem predispor o surgimento de tumores, como o albinismo”, pontua Cecília Cavalcanti. “Além disso, para tumores intraoculares, como o melanoma, e os tumores de superfície, também há a tendência de se desenvolver mais em pessoas de pele clara e em pessoas mais velhas”, esclarece a médica, destacando que, no entanto, cada vez mais pacientes jovens também estão sendo diagnosticados. O tratamento depende da localização da lesão. Tumores de superfície podem ser retirados cirurgicamente e, em algumas ocasiões, quando são infiltrativos, podem necessitar de radiação. “Ou até uma cirurgia infelizmente mais mutilante, como enucleação ou exenteração. Já com relação às metástases, geralmente aguardamos resultados com o tratamento quimioterápico sistêmico.” Pelo fato desse câncer ser raro, a especialidade de oncologia ocular não é facilmente encontrada. “O Hope está preparado para esse atendimento. É uma especialidade que abrange a oftalmologia como um todo, pois interage com todas as outras.”

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