SAÚDE | Fonte: Jornal do Commercio

A difícil missão de abastecer a farmácia

Reportagem: JULIA AGUILERA Fonte: Jornal do Commercio

Dos dez remédios que serão adquiridos em conjunto pelo Consórcio Nordeste apenas um está na lista dos que faltam em Pernambuco

Apesar da economia de cerca R$ 50 milhões para os cofres dos nove Estados integrantes do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste) – anunciada pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, na última quarta-feira, a compra conjunta de medicamentos está longe, por exemplo, de sanar o problema de desabastecimento na Farmácia de Pernambuco. Dos 37 remédios que estão em falta atualmente na unidade, apenas um está na lista dos dez licitados. De janeiro a novembro deste ano, o governo já investiu mais de R$ 18 milhões com os mesmos fármacos. Até ontem, da lista dos 231 medicamentos oferecidos pela Farmácia 37 não estavam disponíveis. Outros oito remédios não estão mais sendo fabricados e o órgão aguarda a substituição por novas fórmulas. A situação já foi pior. Em abril deste ano faltaram 139 e o Ministério Público abriu inquérito para investigar o desabastecimento. Desta vez, segundo o diretor da Farmácia de Pernambuco, Mário Moreira, a falta dos produtos é temporária. “Todos os processos licita-tórios estão na rua, estamos apenas aguardando a entrega. Outras 186 drogas estão disponíveis”, diz. No entanto, para a dona de casa Marize Silva, a falta de assistência já é considerada crônica. Há mais de um ano sem conseguir pegar Aripiprazol para a filha, ela vai precisar, mais uma vez, tirar dinheiro de onde não tem para não interromper o tratamento de Amanda Siqueira, diagnosticada com esquizofrenia. “Eu compro, mas a gente não tem condições. Vai ser mais um mês deixando de fazer feira para ter o remédio. Já são quatro anos usando e nunca tinha tido problema até setembro do ano passado”, conta dona Marize. Segundo ela, são gastos mais de R$ 1 mil por mês com o medicamento, que deveria estar sendo entregue gratuitamente pelo Estado. “Não explicam nada, só dizem que está faltando e pedem para ligar para a ouvidoria, mas lá ninguém atende”, reclama. Trabalhando como faxineira, ela e a filha têm o benefício assistido da jovem como única fonte de renda fixa. Portadora de uma doença crônica, a dona de casa Bianca Santiago também tem sofrido com a situação. Está há seis meses sem conseguir fazer o tratamento apenas com os remédios disponibilizados pelo governo. “Eu uso mesalazina supositório e comprimido. O supositório já estou há seis meses sem pegar porque está faltando. A solução é comprar, mas o valor é alto, chega a quase R$ 400 mensais, e não se encontra com facilidade”, comenta. Nem o medicamento de Amanda Siqueira nem o de Bianca Santiago estão licitados na compra conjunta do Consórcio Nordeste. Na lista há 10 fármacos indicados para diferentes finalidades. Tem para deficiência de cálcio, endometriose, acne grave, osteoporose, problemas de crescimento, acompanhamento de transplantados e puberdade precoce. Para os outros Estados, a lista contém 12 itens. Caso os produtos fossem comprados separadamente, os valores poderiam chegar a R$ 166 milhões. Na compra conjunta, o preço caiu para R$ 118 milhões. A economia, segundo os representantes do Consórcio, gira em torno de 30%. O valor final pago por Pernambuco ainda não foi divulgado, uma vez que a licitação só será homologada no próximo dia 15. Ainda assim, Mário Moreira afirma que só há vantagens. “O benefício surge da capacidade de compra. Quando você junta todo o Nordeste, que é o segundo maior mercado de medicamentos do Brasil, e faz uma grande compra, a negociação passa a ser direta com a indústria, pela quantidade, e o barateamento vem”, explica. “É vantagem para todos e para a população, uma vez que os governos se unem para enfrentar a dificuldade de abastecimento.” O acordo foi firmado na última quarta-feira, durante encontro do Consórcio Nordeste em Pernambuco. 48 milhões de reais é a economia estimada na compra conjunta de remédios pelos nove Estados que integram o Consórcio Nordeste. A lista é de dez medicamentos 85% é o índice de abastecimento hoje da Farmácia de Pernambuco. Da lista de 231 remédios oferecidos, faltam 37, outros oito deixaram de ser produzidos e 186 aparecem no estoque.

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